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Análise: iPad Pro + iOS 11, o que é um computador?

Em busca de um novo notebook para chamar de seu? Talvez a resposta esteja em um iPad.

O iPad já é um velho conhecido das pessoas, mas quantas delas de fato decidiriam trocar os computadores, notebooks e até mesmo Macs por apenas um tablet? Bem, podemos começar por mim.

Há cinco meses tenho usado um iPad Pro de 12,9 polegadas de 2017 como computador principal. Longe de portas USB, entrada de CD/DVD e até mesmo de um computador equipado com o iTunes, o iPad finalmente se tornou para mim o substituto de um laptop – e ele pode acabar sendo o seu também.

O tablet da Apple foi lançado em 2010, três anos após o primeiro iPhone. Mas a verdade é que ele não parecia nada mais do que um iPhone grande na época.

Seria uma tela maior, alto-falante mais potente e um processador um pouco acima do que a geração atual de smartphones o suficiente para apenas ler algumas revistas digitais, ver o e-mail e talvez um livro? Não.

A verdade é que como dono de um iPad 2 e um iPad Air 2, eu nunca soube explicar o motivo de gostar tanto desse aparelho, apesar de achá-lo bacana por ser leve, uma mão na roda para assistir Netflix e útil para algum jogo mais pesado, como FIFA.

Em todo esse tempo, a Apple apostou em diversas versões do iPad, como o Mini, com 7,9 polegadas, o Air, mais potente e leve do que nunca, e depois com a linha Pro, com quatro alto-falantes, telas de 12,9 e 10,5 polegadas e um processador super-rápido.

O primeiro iPad Pro foi lançado em 2015 junto com o Smart Keyboard e o Apple Pencil, mas ainda faltava algo nele: um iOS realmente otimizado para uma tela tão grande e um processador tão potente.

Com o iOS 11, lançado em setembro de 2017, não é mais difícil explicar para que serve o iPad – e já dá quase para esquecer o que é um computador.

O que torna o iPad Pro tão especial?

Geralmente, notebooks 2-em-1 costumam ser pesados demais como tablets e fracos demais como computadores. O iPad Pro parte do princípio de que, primeiro, ele não precisa ser um computador. E ainda mais importante: por que uma pessoa comum precisaria de um computador?

Vale notar que, nesses meses de uso, usei o iPad como jornalista, principalmente escrevendo e fazendo pequenas edições de foto e vídeo. Mas também não fugi dos usos pessoais: navegar na internet, mexer em redes sociais, ver e-mails, assistir vídeos, ouvir música, etc.

Outro ponto importante é que estamos falando do iPad Pro de 12,9 polegadas, uma tela padrão de notebook, e não o modelo de 10,5 polegadas que é menor e ligeiramente mais leve e portátil.

Por fim, é preciso adicionar mais estes pontos à equação do review:

  • O meu smartphone é um iPhone;
  • O iPad Pro necessariamente precisa ou do Smart Keyboard ou do Apple Pencil para melhor proveito do aparelho; eu escolhi a primeira opção;
  • Sou assinante do iCloud para armazenar e sincronizar os meus dados;
  • Sou assinante do serviço de streaming Apple Music.

Em outras palavras, vivo no “cercadinho da Apple”. Quer ver como funciona?

Um iPad para ser usado na horizontal

Vai por mim, você não vai querer usar o iPad Pro de 12,9 polegadas na vertical. Ele é simplesmente imenso. Pesando 677 gramas, ele seria leve se não fosse pelo Smart Keyboard, acessório vendido à parte, que pesa 680 gramas, o que dá pouco mais de 1,3 kg ao todo.

Com tela Retina (2732 x 2048 pixels), o iPad tem suporte ao HDR, que traz imagens mais reais, nítidas e coloridas em filmes da Netflix e iTunes Store. Com revestimentos contra oleosidade e reflexo, usar o tablet é sempre uma experiência agradável.

Uma tecnologia exclusiva é o ProMotion, que traz uma taxa de atualização de 120 Hz, o que permite rolar as páginas mais suavemente, deixando a experiência ainda mais real (e que faz todos os nerds surtarem de felicidade). Por fim, o True Tone permite adequar a cor da tela de acordo com o seu ambiente, o que é bem bem bacana.

E mal estamos começando, porque há muito mais o que amar no iPad Pro.

Primeiro, o iOS 11

Eu sei, pode até parecer controverso, uma vez que a Apple nunca teve tanta dor de cabeça com o seu sistema operacional móvel quanto com o iOS 11.

Mas a verdade é que essa é a versão voltada para o iPad e ponto final. Não é o iOS dedicado do iPhone, ou do iPhone X, mas sim do iPad. Com algumas funções dos OS anteriores aprimoradas, é aqui que dá pra dizer que o iPad finalmente consegue substituir um computador.

Com 12,9 polegadas, você aproveita tranquilamente dois aplicativos ao mesmo tempo na tela. E por que não um terceiro flutuando? Ou seja, posso deixar o Notas aberto com o Safari ao lado e, ao passar o dedo da direita para a esquerda no canto mais à direita da tela, eu tenho acesso ao Apple Music flutuante – ou ao Trello, ou a qualquer outro app que eu quiser.

Também posso estar usando o Twitter, o Messenger e ainda assistir a algum conteúdo em vídeo em algum dos cantos graças ao Picture by Picture presente, por exemplo, na Netflix.

E o melhor: não preciso voltar à tela inicial se eu não quiser. Deslizando o dedo de baixo para cima, no canto inferior, eu tenho acesso a uma barra muito parecida com a do macOS. E nela eu posso colocar os aplicativos que eu quiser.

Graças ao novo “Arraste e Solte”, é só segurar uma imagem, trecho de uma notícia ou documento para levá-lo aonde quiser. Isso é uma mão na roda para colar uma foto em uma nota e levar um link do Messenger para o iMessage sem precisar apertar o botão Home.

O iOS 11 dá ao iPad uma sensação de iPhone X, onde você vive usando apenas gestos:

  • Feche a mão na tela para voltar à Home;
  • Arraste e solte um aplicativo em um app já aberto para dividir a tela (faça isso de novo para ter um terceiro flutuante);
  • Deslize o dedo de baixo para cima para abrir o multitasking e central de controle;
  • Deslize o dedo de cima para baixo para acessar a central de notificações.

Outro item muito importante é o novo aplicativo Arquivos, onde você consegue acessar todas as informações do seu iCloud, OneDrive, Google Drive, Dropbox entre outros diretamente do seu iPad em um único lugar.

E essa foi só uma amostra do iOS 11.

O poder do processador A10X e o limite dos aplicativos

Se você quer falar de especificações, então vamos falar de especificações. O processador A10X Fusion com o coprocessador M10 integrado fazem o iPad passar na frente de muitos computadores. Não é à toa que no A11 Bionic, presente no iPhone X, vemos um benchmark tão alto quanto de um MacBook Pro.

Una isso aos 4 GB de RAM e a uma capacidade de armazenamento de 64, 256 ou 512 GB em SSD e talvez você entenda o motivo da Apple se perguntar: “o que é um computador?”

No dia a dia, é difícil ver o iPad sofrer com alguma tarefa, afinal estamos lidando com aplicativos. O meu uso diário se atém ao Trello, Google Documentos, Google Drive, Apple Music, Safari e YouTube. E tudo funciona muito bem.

Como disse, às vezes preciso fazer uso da edição de vídeo. Com o iMovie, incluir vídeos, fazer transições e adicionar créditos é uma tarefa na maioria das vezes agradável. Inclusive, exportar vídeos em 1080p ou 4K (curtos) são mais rápidos do que você espera. Uma questão de poucos minutos.

É claro, às vezes você pode esbarrar em alguma limitação do aplicativo. No iMovie, não consigo usar todo o potencial dele que conseguiria no Mac, como várias trilhas sonoras. O Google Sheets também me faz sofrer ao preencher algumas planilhas, mas até onde eu sei, isso é uma questão que poderia ser resolvida facilmente com uma atualização.

Assim como na hora de trocar de um PC com Windows para um Mac (ou vice-versa), é preciso saber a sua necessidade: verificar quais as limitações do sistema, quais aplicações rodam e quais não e se você tem um uso muito específico. 

De maneira geral, o computador não me faz falta e nem todas as entradas USB. Só uso a porta Lightning, a única, para carregar o iPad. E é sobre isso que vamos falar agora.

Trabalho durante o dia e Netflix à noite

O iPad Pro tem uma bateria de 10.875 mAh, que a Apple chama de 10 horas de uso e eu chamo de “aguenta o dia inteiro tranquilamente”.

Se o iPad for o seu computador do escritório, não se incomode em levar o carregador. É possível trabalhar o dia todo e ainda chegar à noite e ver uma série na Netflix.

O grande problema desse tablet é o carregador que vem na caixa. Com 10W, você vai ficar a madrugada inteira com ele na tomada – isso porque não falamos do de 5W, dos iPhones.

Em outras palavras, a hora de carregar, é hora de carregar e só. Se você quer algo mais imediato, é preciso desembolsar mais um dinheiro com o carregador do MacBook, de 29W, que em pouco mais de 2 horas você terá a bateria do iPad novamente em 100%.

O tablet não conta com o recurso de carregamento rápido como o iPhone, mas por ter uma bateria tão grande, o iPad aguenta essa carga maior – e é bem útil (só não faça igual eu e escolha de uma vez o cabo de 2 metros de USB-C para Lightning, ao invés do de 1 metro).

Smart Keyboard: não esquecemos de você

Como você deve ter percebido, o iPad Pro é muito bacana e tudo mais, só que ele não é muito mais que um tablet sem os seus acessórios caros (alô, Smart Keyboard, carregador de 29 W com cabo USB-C vendido a parte, e Apple Pencil).

Como não comprei um Apple Pencil por não achar necessário no momento, a maior necessidade era o Smart Keyboard e, meu amigo, que emoção.

Se você entrar no site americano da Apple, não verá boas recomendações do teclado pelos consumidores e o principal problema será conectividade. Tecnicamente, é só encostar o conectores do teclado nos do iPad no para tudo funcionar lindamente, sem nem precisar carregá-lo. Só que esse lindamente não estava acontecendo.

Durante os três meses, a minha unidade de Smart Keyboard desconectava facilmente e eu tive que descobrir um truque de como manter o teclado conectado. Fora que as letras “A” e “S” já estavam começando a desaparecer.

No fim das contas, descobri que o acessório estava com defeito mesmo e a loja da Apple no Morumbi trocou para mim (e tá tudo bem agora).

Então, no mundo ideal, é possível usar o Smart Keyboard como teclado e jogá-lo para trás para virar apoio na hora de ver aquela série bacana. A digitação dele está mais próxima do novo teclado borboleta dos novos Macs do que de um teclado padrão. Ele também não é barulhento e o seu material o faz resistente à água (e café), mas só o Keyboard.

As limitações dele estão na falta de retroiluminação e de não trazer várias posições de ajuste para a inclinação do iPad. Vale lembrar que é possível escrever com ele no colo, mas é preciso estar sentado com as pernas bem juntas. A melhor maneira acaba sendo usá-lo numa mesa mesmo.

Este é o iPad Pro

Após todas essas palavras, você consegue ter uma visão do que é o uso do iPad Pro com o iOS 11. Rápido e eficiente, ele fica ainda melhor com os acessórios.

Vale lembrar também das suas câmeras nas considerações finais: 12 MP atrás e 7 MP na frente – as mesmas presentes no iPhone 7.

Este é outro ponto positivo dele que você não encontra nos notebooks, uma vez que escanear documentos ou aparecer numa videoconferência vai ter uma qualidade superior no iPad.

É claro, não é aconselhável andar por aí com 12,9 polegadas para tirar fotos e gravar vídeos em 4K. Mas se você quiser, por que não?

O iPad Pro de 12,9 polegadas começa em R$ 6.199 na versão de 64 GB, nas cores Cinza Espacial, Prateado e Dourado. O modelo menor, de 10,5 polegadas, começa a partir de R$ 4.999 e você pode escolher nele a versão em Ouro Rosé. Ambos têm um modelo com conexão 4G.

O Smart Keyboard custa R$ 1.099 e o Apple Pencil R$ 749. Para completar, o carregador USB-C de 29W custa R$ 329 e o cabo USB-C para Lightning é R$ 149 na versão de 1 metro e R$ 219 na versão de 2 metros.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é editor de internet do Jornal da Globo e escreve sobre tecnologia e games.