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Análise: Samsung Galaxy S9, o novo de novo

Smartphone top de linha de 2018 da Samsung começou a ser vendido há menos de um mês. Vale a pena o investimento de, pelo menos, R$ 4.299?

A Samsung A Samsung anunciou os seus novos smartphones da linha S, o Galaxy S9 e o Galaxy S9+, na Mobile World Congress 2018. Há menos de um mês, a empresa fez o lançamento oficial do produto no Brasil e nesta sexta-feira (20), os novos aparelhos estão disponíveis para todos os consumidores.

Na últimas duas semanas, o Nova Post vem testando o Galaxy S9, cedido pela Samsung, e você confere as nossas impressões do aparelho agora.

Menos bordas, o mesmo tamanho

O Galaxy S9 traz uma sensação de déjà vu. Não só por continuar no posicionamento global da empresa de Do What You Can’t, mas por ser a cara do smartphone que teve o seu grande unboxing no ano passado.

Manter o mesmo design não é um problema para a Samsung, porque outras fabricantes também fazem isso. Inclusive, manter o mesmo visual mostra o quanto a empresa sul-coreana acertou no Galaxy S8 – e como ele realmente foi um divisor de águas em relação a outros smartphones Android.

O Galaxy S9 mantém as 5,8 polegadas do modelo anterior, assim como o Galaxy S9+ mantém as 6,2 polegadas. Os aparelhos são menos de dois milímetros mais finos sem perder o aproveitamento da tela, tornando-os ligeiramente mais confortáveis para segurar, ver vídeos e digitar mensagens.

Para o consumidor final perceber que você está com um Galaxy S9 e não com um Galaxy S8, é preciso se atentar à parte de trás: seja pelas duas câmeras na vertical ou o sensor de impressão digital abaixo delas. Caso você veja a lente piscar para você, é porque você de fato está diante da “câmera reimaginada”.

De resto, a Samsung mantém a entrada de fones de ouvido, os botões continuam todos iguais e a tela segue brilhante como no modelo anterior – sem tirar e nem por.

Um destaque, e é muito importante você saber disso, é que finalmente a linha S da empresa ganha uma saída de áudio estéreo, com alto-falantes na parte de baixo e próximo da câmera de selfie, sendo possível ouvir um áudio sem fone de ouvido ou uma ligação sem precisar pedir para a pessoa repetir o que ela acabou de falar.

Rápido e estável

Se a Samsung não diferenciou os seus novos top de linha no visual, ela decidiu tentar te ganhar pelas especificações técnicas. Além da câmera dupla e, obviamente o tamanho do celular e a bateria, é a memória RAM que tem uma diferença: 4 GB de RAM no modelo menor e 6 GB no modelo maior.

No dia-a-dia, essa diferença é útil para um melhor aproveitamento da câmera dupla, mas principalmente em relação às tarefas cotidianas como abrir apps mais rápido, checar e-mails, jogar alguns games, tirar fotos e aproveitar as redes sociais.

O novo processador Snapdragon 845 é uma besta de rápido e faz bonito em todos os cenários.

No entanto, vale ressaltar que mesmo com todas essas especificações top de linha, o Galaxy S9 ainda precisa pensar de vez em quando na hora de excluir diversas fotos ao mesmo tempo ou cortar o trecho de um vídeo.

Armazenamento certeiro

Um ponto para bater palmas à Samsung é a única opção de 128 GB de armazenamento interno. A empresa não te deixa em dúvida entre um modelo com armazenamento que poderia ser suficiente e um que seja absurdamente mais do que você precisa.

64 GB já costumam ser mais do que suficiente para 90% das pessoas – e eu me incluo nelas -, mas 128 GB é um tamanho consideravelmente confortável para todo mundo. E, caso necessário, sempre é possível adicionar um cartão microSD de até 400 GB para mais espaço.

Caso você não precise desses 400 GB extra, ou prefira usar o Samsung Cloud, é possível adicionar um segundo chip, já que o modelo brasileiro conta com essa facilidade de ter o telefone de trabalho e pessoal embaixo de uma única tela.

Desbloqueie com o dedo e não com os olhos

Quando em 2016 a Samsung apresentou para o mundo o Galaxy Note7, uma das grandes novidades dele era o reconhecimento facial. Como nem todos tiveram a chance de testá-lo, a grande estreia do reconhecimento facial e do leitor de íris foi no Galaxy S8, em 2017, e confesso que gostei bastante.

Ok, era preciso manter o telefone em uma certa altura e talvez ficar parado por alguns segundos para o sensor funcionar, mas, vai, funcionava. Então veio o Galaxy Note8, e ele manteve tudo igual.

Em seguida veio o iPhone X e o aparelho da Apple mostrou como realmente um sensor de reconhecimento facial deveria ser feito. Alguns meses depois, em 2018, veio o Galaxy S9: e o que a Samsung aprendeu? Pouco.

Essa história serve para dizer que a empresa sul-coreana teve pelo menos um ano para trazer uma solução moderna e que batesse de frente com o Face ID e a resposta foi fraca. Com o Intelligent Scan, a Samsung combina o reconhecimento facial com o leitor de íris. Ou seja, com pouca iluminação, ele desbloqueia pela íris e com muita claridade, pelo seu rosto.

O grande problema é: o reconhecimento facial é 2D, portanto menos seguro. Na prática, ninguém vai andar com uma foto A3 sua com uma qualidade impecável para desbloquear o seu celular. No entanto, a empresa sul-coreana tentou dar uma roupagem nova para uma tecnologia antiga. E se me perguntar, sim, você ainda precisa ficar parado para desbloquear o celular.

E pior, com essa nova função de combinar tecnologias, a empresa fragiliza a segurança do aparelho, já que o celular opta pela opção mais cômoda, a que vai desbloquear o celular mais rápido e não a que vai trazer segurança para os seus dados.

Na dúvida, então, opte pelo dedo.

Fotos de comida nunca pareceram tão boas

O mote do Galaxy S9 é a “câmera reimaginada”. Afinal, nada como uma câmera que muda a abertura da lente dependendo da quantidade de luz que ela recebe. A ironia, para mim, é que apenas a câmera principal é a reimaginada, a frontal continua a mesma do Galaxy S8. Mas vamos por partes.

Em ambientes com bastante luz, a câmera do Galaxy S9 mantém a abertura em f/2,4, enquanto em ambientes com pouca luz, ela deixa passar 28% mais de luz com uma lente f/1,5. Na prática, as fotos vão sair ligeiramente mais nítidas e com menos ruído à noite, assim você talvez não precise usar o flash.

Agora, ao usar o flash é importante notar que ele não faz um balanço de branco e apenas estoura a luz no seu rosto, algo que o iPhone X toma mais cuidado.

Uma coisa que me chama atenção no Galaxy S9 é que graças a alguns modos automáticos, o usuário pode se sentir um profissional com mais facilidade e eu destaco o “Foco Dinâmico” e o modo “Food” como os meus preferidos.

Mesmo com uma única câmera, a Samsung consegue aplicar o efeito Bokeh com a ajuda do seu software e o resultado é bem interessante.

Mas você percebeu que o software deixou alguma coisa passar no braço? É, tem um borrão ali. E essas coisas podem acabar acontecendo mesmo nas fotos, afinal estamos falando de uma lente só.

No modo comida, o que eu acho bacana é que você foca na parte principal do seu almoço e, além de dar um “tchans”, a Samsung ainda desfoca o resto da comida, o que faz qualquer refeição parecer uma peça publicitária.

Percebo também que as imagens de maneira geral saem mais saturadas nas lentes da empresa sul-coreana, o que necessariamente não é um problema, mas note: mesmo a sua pior foto vai parecer mais bonita na tela Super AMOLED do S9 – mas, às vezes, só nela.

Outro ponto muito comentado pela Samsung é o Super Slow-motion: vídeos gravados em alta definição em 960 quadros por segundo. É preciso de prática para acertar a imagem perfeita, já que o modo automático apresenta um delay e o manual, que depende de você apertar o botão também pode rolar um atraso (seu). A câmera principal também grava em 4K a 60 FPS.

Já na câmera de selfie, que permanece com os 8 MP que conhecemos, o interessante é poder pegar mais detalhes da foto já que ela tem uma boa angulação.

As fotos no “Foco Dinâmico” também saem interessantes e a minha dica é tirar selfies com o smartphone na horizontal. Para mim, acredito que o rosto fica menos achatado e a foto fica mais uniforme.

AR Emoji

Você provavelmente já se interessou pelos Animojis, não é? A Samsung criou uma proposta diferente, mas que promete engajar mais os usuários que comprarem um Galaxy S9. Ao tirar uma selfie sua, ou dos seus amigos, é possível criar um avatar 3D.

Veja bem, não é todo AR Emoji que fica bacana e sinto que a Samsung tem uma base limitada de rostos, o que pode te fazer ficar parecido com o seu amigo. Como o meu avatar e o do Adriano, do Vida Moderna.

No entanto, algumas pessoas ficaram ainda melhores no mundo virtual, como o meu tio-avô que é o italiano mais moderno dos emojis. E no fim das contas, é bem bacana compartilhar GIFs ou apenas a imagem parada das reações pré-criadas da Samsung.

Claro, você não fica preso a um único comunicador, é possível usar qualquer aplicativo de mensagem com eles. É um extra, mas tenho certeza que você vai se divertir, ainda mais porque você pode ter vários AR Emoji salvos.

Bateria

A Samsung chegou a um patamar confortável com a bateria dos seus smartphones. O Galaxy S9 conta com 3.000 mAh, o suficiente para um dia todo, mas que pode trazer algum aperto se o seu uso for mais intenso.

Graças à tecnologia de carregamento rápido, 30 minutos são o suficiente para ter mais da metade da bateria cheia – e tudo isso vem direto da caixa.

Com outros aparelhos eletrônicos apostando na entrada USB-C, você também pode pedir emprestado o carregador dos seus colegas de trabalho sem problema, além de ser uma solução que o mercado de maneira geral está adotando.

Software

O Galaxy S9 vem de fábrica com o Android 8.0 Oreo e a dica para o usuário Android é: passe uma tarde nas “Configurações” do smartphone liberando o Smart Lock, gestos para fazer prints, a disposição das notificações na tela de bloqueio e mais.

A Samsung ainda aposta em algumas especificidades, como a “Pasta Segura”, para guardar a sete chaves as suas informações mais sigilosas, além do Dual Messenger, que permite você ter dois aplicativos de mensagem iguais, mas com contas diferentes no seu aparelho.

O usuário só precisa se atentar para a gama de aplicativos duplicados da Samsung e do Google para escolher: Notas da Samsung ou do Google? Galeria ou Google Photos? E por aí vai.

Considerações finais

A palavra que define, na minha opinião, o Samsung Galaxy S9 é conforto. A empresa sul-coreana criou um smartphone potente e certeiro que atende as demandas de qualquer usuário: do mais simples ao mais heavy.

A Samsung também mistura funções profissionais, como na sua câmera, mas permite que qualquer usuário tire fotos bonitas nos modos automáticos.

O S9 permite que o usuário faça mais, mas, diferente do Galaxy S8, não acredito que o atual lançamento tenha feito a Samsung fazer o que não consegue.

Mesmo sendo lançado nesta sexta (20), já é possível encontrá-lo por menos de R$ 4.000 nas lojas. O aparelho vem nas cores Preto, Ultravioleta e Cinza-titânio, a versão azul não tem previsão para chegar ao Brasil por enquanto.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é editor de internet do Jornal da Globo e escreve sobre tecnologia e games.