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Análise: Samsung Galaxy Note8, o melhor Android de 2017

Seis meses depois do seu lançamento, vale a pena escolher o Note8 ou está na hora de virar o ano?

O Samsung Galaxy Note8 segue os moldes do smartphone que completa um ano agora, o Galaxy S8. Com um novo design (“display infinito”) e uma nova abordagem (Do What You Can’t), o smartphone da empresa sul-coreana chega para acabar com a espera dos saudosos da S Pen e da linha Galaxy Note, que não dava as caras no Brasil desde o Note5.

Durante um mês, o Nova Post testou o flagship da Samsung, cedido pela empresa, e você confere a análise do aparelho agora.

Que celular é esse?

Com uma tela de 6,3 polegadas e praticamente sem bordas, o Note8 é provavelmente o tijolão mais fino e bonito que você já viu por aí. Em 2017, o Galaxy S8+ foi meu smartphone principal por cinco meses e foi trocado apenas pelos novos iPhones, que, dessa vez, não têm o mesmo apelo estético que antes.

Convenhamos, o iPhone X é bonito, mas o Galaxy Note8 faz o flagship da Apple parecer um patinho feio.

A traseira toda em vidro, sem nenhuma interferência na tela e duas câmeras traseiras com um sensor de impressão digital é o suficiente para chamar atenção de qualquer simpatizante de smartphones – e até surgir o comentário: é Android esse aí?

O aumento da tela em 0,1 polegada parece mais interessante uma vez que todo o display está na parte da frente e não escondido nas laterais do aparelho (o que o deixa também ligeiramente menos suscetível a estragos ao cair no chão).

Outra adição importante foi os 2GB extras de RAM, totalizando 6GB, além da memória de 64GB com a possibilidade de ser expandida até onde o seu bolso conseguir pagar um cartão microSD.

O Note8 também traz de volta a S Pen, ainda mais precisa e com mais funções do que antes. O que o aparelho não traz é um sistema de alto-falantes estéreo, o que deixa as ligações mais baixas que o necessário no viva-voz e também ao ouvir música sem fone de ouvido.

Muito rápido, muito Android

Os 6 GB de RAM, combinado com o processador Snapdragon 835, deveriam ser a chave de sucesso de qualquer smartphone. O que não falta no Galaxy Note8 é velocidade. E, se por algum motivo eu não conseguia acompanhar o trajeto do motorista do Uber pelo Galaxy S8, o Note faz questão de cumprir a função e mostrar exatamente onde está o motorista em tempo real.

Os aplicativos abrem rápido, a câmera responde rápido e a tela infinita traz uma excelente experiência em qualquer jogo que você quiser tentar.

Agora, se você quiser se incomodar um pouco com o Galaxy Note8, toque para ver um vídeo e perceba a mini travada que ele dá. Ou então vá gravar um vídeo que, no instante que você aperta para gravar, a câmera dá um pouco de zoom, o suficiente para atrapalhar o enquadramento que você tinha feito. São coisas pequenas, que podem até passar despercebidas, mas o aviso está dado.

Agora, o que melhorou em relação ao S8 é o gerenciamento de vários aplicativos. Em outras palavras, abra vários apps “sem querer” e veja o Note8 lidar com isso sem problemas – o S8 precisa pensar um pouco.

Ainda sobre os aplicativos, um ano depois do lançamento da linha S de 2017, finalmente o usuário pode respirar aliviado ao saber que os apps na sua maioria esmagadora têm suporte a tela 18:9, o que torna a experiência com o celular melhor e mais imersiva.

Solução Samsung para tudo

Em relação ao Android, é preciso lembrar que a Samsung demora bastante para atualizar o sistema operacional, além de ter o péssimo hábito de lançar alguns smartphones com o sistema operacional do ano passado (alô, Galaxy A).

Em relação ao Note8, sigo esperando o Android Oreo e as suas novidades. Por outro lado, o usuário pode se divertir – ou se confundir – com os diversos aplicativos Samsung.

O próprio Browser (que é muito bom), uma loja de aplicativos própria, pagamento móvel próprio, app de saúde próprio, galeria de fotos própria.

Enquanto isso dá ao consumidor a opção de escolher entre a Conta Samsung e a Conta Google, você não consegue se livrar inteiramente nem de uma e nem de outra.

O futuro ainda é míope

A linha Galaxy S estreou em 2017 o reconhecimento facial e o leitor de íris – novidades mais do que bem-vindas em um mundo sem bordas e com sensores de impressão digital na parte de trás do aparelho.

Confesso que em agosto fiquei animado com esse novo desbloqueio, apesar do meu óculos fundo de garrafa que não permitia o destravamento do aparelho – mas, tudo bem, a gente levanta os óculos pela tecnologia.

Agora, com a chegada do iPhone X, pude perceber que o problema não era meu, mas a falta dos sensores certos no Note8. Fazer essa mudança de S8 > iPhone X > Note8, fez com que eu me sentisse dando alguns passos atrás no reconhecimento facial, que tem alguns problemas como:

  • É impossível desbloquear o aparelho andando;
  • Pouca luminosidade é um problema;
  • Óculos com grau elevado são um problema;
  • É preciso ajustar o rosto na frente da câmera para que o celular possa tentar enxergar a sua íris.

Mas, olha só, pelo menos o sensor de impressão digital ainda está por aqui e ele é bem eficiente – e também te ensina que é preciso limpar as lentes da câmera periodicamente, pois o sensor está bem ao lado dela.

Eu ouvi: “estabilização óptica dupla”?

Esta ainda não é a “câmera reimaginada”, mas já é um bom começo. Com 8 MP na câmera de selfie, estamos olhando para a mesma lente do Galaxy S8, o que por si só é um elogio.

Com uma angulação mais aberta, você consegue pegar mais detalhes com a câmera frontal, o que é ótimo para selfies que você queira mostrar mais o corpo ou juntar os amigos.

Agora, se você não gosta dos filtros de embelezamento, vai ficar um pouco frustrado com o software suavizando possíveis imperfeições na pele e afinando o seu rosto – e por mais que você coloque tudo no 0, ainda assim você vai ter uma experiência diferente da de outros celulares.

O que é novidade são as câmeras principais: é a primeira vez que a Samsung investe em câmeras duplas e com estabilização ótica em ambas as lentes. Com 12 MP cada, sendo uma com abertura f/1.7 e a telefoto com abertura de f/2.4 é possível tirar fotos bem impressionantes, mesmo em ambientes com baixa iluminação.

O novo “Foco Dinâmico” permite aplicar o efeito bokeh nas fotos, desfocando o fundo. O “plus” do Note8 é a possibilidade de ajustar o quão desfocado você quer que seja o segundo plano após tirar a foto, que é bem bacana.

Minha ressalva com o Galaxy Note8 é que a Samsung dá uma saturada nas fotos. Enquanto em algumas imagens isso vai dar um aspecto estranho, outras, como comida, ficam mais apetitosas. Eu particularmente gosto da imagem o mais próximo da realidade possível, mesmo que no fim das contas a lasanha tenha ficado melhor de gosto do que de cara.

Se você quer usar o celular para gravar vídeos, saiba que o Note8 grava em 4K e sim (sim!) a estabilização ótica vai deixar a gravação muito mais suave, sem tremedeiras e com um aspecto muito mais profissional. Obrigado!

Para quem precisa de uma stylus, use a S Pen

Pela primeira vez pude testar um smartphone da linha Note e então desbravar a famosa S Pen. “O divisor de águas” da linha S para a linha Note tem a promessa de “uma vez que você tem uma stylus, nunca mais vai querer voltar atrás”. E, bem, eu poderia viver sem ela.

A S Pen é interessante, entendo o apelo dela, mas a única utilidade para mim foi usar a tela bloqueada para escrever alguma nota – o que foi bem legal.

Das diversas outras funções, como “Traduzir”, tentei usar no Facebook, mas aparentemente não tinha suporte. É preciso usá-la numa página web ou em uma nota, por exemplo.

As mensagens animadas também são bacanas, vai, é legal fazer um GIF e mandar para os seus amigos (por duas vezes).

A Bixby Vision é interessante, você aponta a stylus para uma imagem e então é feito uma pesquisa de imagens relacionadas ou sobre o texto. Como a assistente pessoal ainda não chegou ao Brasil, é interessante ter uma prévia do que vem, mas é mais uma adição bacana do que um recurso fundamental.

Bateria: poderia ser maior

A Samsung decidiu ir com calma na bateria do Galaxy Note8. Com 3.300 mAh, não é de longe a maior disponível no mercado e perde em 200 mAh para a do Galaxy S8+.

De maneira prática, é possível passar das 10h até as 02h com o celular longe da tomada, desde que em um uso contido – redes sociais, música, algum vídeo e talvez uma ligação rápida.

Para os usuários acostumados com uma autonomia de um dia e meio, poderão ter problema com um uso mais intenso no Note8.

O bom é que o aparelho tem carregamento rápido direto da caixa, o que em uma hora e meia dá para ter o smartphone no 100%. O carregamento por indução, feita com uma base wireless também é algo que eu não sabia a utilidade e só percebi o quão legal é depois de usar. Recomendo.

É Note8 que você quer?

O Galaxy Note8 foi lançado por R$ 4.400 e hoje em dia é possível encontrá-lo nas redes de varejo por volta dos R$ 4.000. Ir na operadora ou na loja da Samsung podem ser opções mais vantajosas na hora de trocar o seu smartphone antigo pelo Note.

Vale lembrar que o aparelho é um dos poucos top de linha a ter a entrada de 3,5 mm padrão de fone de ouvido, além de resistência à água e poeira, IP 68.

O Samsung Galaxy Note8 destrona o Galaxy S8+ como melhor Android de 2017 e possivelmente continuará sendo um dos melhores durante 2018, porém o custo benefício pode te fazer optar pela linha S, uma vez que é possível viver sem uma câmera dupla e S Pen e ganhar mais um pouco de bateria.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é editor de internet do Jornal da Globo e escreve sobre tecnologia e games.