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Análise: Moto Z3 Play, afinal, você precisa mesmo de um topo de linha?

Nova geração aposta em tela maior, design sem bordas e bom desempenho, mas será que continua com o ótimo custo-benefício de um Moto Z Play?

Anunciado no Brasil em junho como o novo intermediário premium da Motorola, o Moto Z3 Play tem a difícil missão de superar os seus antecessores. “Difícil” porque, em comparação com o modelo do ano passado, o lançamento traz a mesma bateria, poucas melhorias no hardware e um considerável salto de preço. Por outro lado, a fabricante também afirma que ele está mais refinado e que ganhou um belo par de câmeras traseiras.

Para saber se o investimento mais alto realmente vale a pena, o Nova Post passou um mês com o Moto Z3 Play. O aparelho foi pela assessoria da Motorola e agora você confere todas as nossas impressões sobre ele.

Sem bordas e sem notch

A primeira coisa que você irá notar ao ver o Moto Z3 Play é certamente a tela. Isto porque, além das bordas serem mínimas, o visor ocupa 78% da frente do aparelho e tem nada menos que 6 polegadas. No que diz respeito à qualidade, o painel AMOLED com resolução Full HD+ tem cores vivas e um bom nível de brilho. Por causa da tecnologia utilizada, os pretos também são profundos e ajudam a tela a poupar energia.

Em volta do display, a Motorola deve ter tido trabalho para posicionar tão bem os sensores e componentes sem precisar de um notch. Logo ao lado da câmera frontal, por exemplo, é possível localizar o único alto-falante do aparelho – que, diga-se de passagem, é bastante claro para as chamadas e bem alto para as músicas, só não passa aquela sensação de profundidade.

Apesar de todos esses acertos na frente, todo o resto do visual se manteve o mesmo do ano passado.

Como o aparelho precisava ser compatível com os Moto Snaps atuais, a fabricante não pôde mudar nada e a única coisa movida do lugar foi o leitor de impressões digitais, que agora está na lateral direita e funciona mesmo com a tela desligada.

“O leitor biométrico, por sinal, é o mais rápido e preciso que já testei. Em mais de um mês com o aparelho, não consigo me lembrar das vezes em que ele falhou ou demorou a responder.”

É uma questão de gosto decidir se a Motorola acertou ou não em manter um visual de dois anos atrás. Ainda assim, não dá pra negar que o Moto Z3 Play é bem construído, sendo confortável de segurar, leve e relativamente portátil, principalmente devido ao aspecto 18:9 empregado na tela.

Minha única reclamação a respeito do design é o enorme relevo das câmeras – que, de tão grande, atrapalha o uso sob superfícies planas e fica marcado na calça quando o aparelho está no bolso.

Desempenho sob medida

Particularmente, venho me surpreendendo cada vez mais com os intermediários no Android. Isto porque, até algum tempo atrás, a categoria mid-range era sinônimo de preço alto e desempenho que deixava a desejar – se o usuário exigisse performance ou armazenamento decente, tinha de necessariamente partir para os modelos mais caros.

Graças aos novos Snapdragon 600, da Qualcomm, esta percepção não existe mais. Não que um intermediário vá competir com um topo de linha, claro, mas sim porque que essa nova leva de mid-ranges, incluindo o Moto Z3 Play, de fato, trazem poder de fogo suficiente para a maioria das pessoas e tarefas.

Com isso, em quase um mês de testes, não notei dificuldade alguma do aparelho em realizar tarefas básicas e executar aplicativos – até mesmo os mais pesados. Como a interface da Motorola também é bem leve, as transições são fluidas, e é possível utilizar mais de um aplicativo ao mesmo tempo sem nenhum problema.

Para o coração do Moto Z3 Play, especificamente, a Motorola escolheu o Snapdragon 636, um chip de oito núcleos e com até 1.8GHz de potência. Para o processamento gráfico, a GPU Adreno 509 completa o pacote, auxiliada por 4GB de memória RAM e 64GB de armazenamento interno.

Ou seja, além de executar seus aplicativos sem engasgar, o Moto Z3 Play suporta toneladas de fotos, vídeos e músicas. Mas caso tudo isso ainda não seja suficiente pra você, vale lembrar que o aparelho também suporta cartões microSD de até 512GB – isto com slot dedicado, ou seja, nada de ficar escolhendo se quer utilizar dois chips ou cartão de memória, o usuário tem os dois.

Câmera boa de verdade, com um porém

O Moto Z2 Play já era uma ótima pedida de intermediário em 2017. Agora, com os últimos estoques sendo vendidos a quase R$ 1.200, ele se tornou uma pechincha ainda melhor.

No entanto, há algo que o Moto Z3 Play tem que o seu antecessor não tem: câmeras boas de verdade. Na traseira, por exemplo, a Motorola inseriu o sensor Sony IMX 363, que está sendo muito elogiado por seus 12 megapixels, 1/2.55” polegadas de tamanho, foco automático dual-pixel (o mesmo que faz sucesso na linha Galaxy S, da Samsung), pixels de 1.4 nanômetros e abertura de diafragma em f/1.7.

“Embora não conte auxílio do OIS ou outros mimos, o sensor também é capaz de filmar em 4K e em Full HD a até 60 quadros por segundos”

Este mesmo sensor também está sendo utilizado no Asus Zenfone 5 e nos novos Mi 8 e Mi 8 SE, da Xiaomi, revelando ser um dos melhores (se não o melhor) na gama intermediária. Nas fotos que você vê abaixo, é possível conferir um pouco do que pudemos capturar em nossos testes com o Z3 Play.

Em todas as fotos, é possível notar que o aparelho mandou muito bem no HDR, mantendo os detalhes da imagem mesmo nas áreas mais escuras e claras da cena. A abertura generosa também faz com que o Z3 Play tire boas fotos em baixa iluminação, já que o aparelho não depende tanto do ISO para captar luz e, com isso, produz pouco ruído nas imagens.

“Em fotos com boa iluminação, o Moto Z3 Play é uma fera, mostrando bons níveis de detalhe e cores precisas, com um alto alcance dinâmico”

Já a segunda câmera traseira, a mesma que encareceu o modelo nesta geração, existe para apenas um propósito: modo retrato. Em outras palavras, a segunda câmera não tem lentes de maior ângulo, não tem zoom ótico ou qualquer outro recurso – ela é apenas um sensor de profundidade utilizado para as fotos com o efeito bokeh.

Mas mesmo dedicando uma câmera inteira para isso, o efeito bokeh do Motorola não é muito bom: dificilmente ele consegue reconhecer os cantos do objeto fotografado e capturar com precisão. No fim das contas, o resultado é um modo retrato de baixa qualidade e que deixa você parecendo um recorte na imagem.

A câmera frontal, por sua vez, está bem preparada para competir com modelos como o Xperia XA2 Ultra e o Galaxy A8+, mesmo sendo uma só. Embora não tenha nenhuma especificação surpreendente, com seus 8 megapixels, abertura f/2.0 e pixels de 1.12 nanômetros, o sensor faz boas fotos se a luz do ambiente colaborar.

Em suma, caso a intenção do usuário seja a mesma da maioria dos brasileiros – tirar fotos para as redes sociais – esta câmera não fará feio, ainda que não traga flash frontal como no modelo anterior.

O sistema não mudou quase nada

Caso você esteja vindo de outro Motorola recente, pouco irá se surpreender com o sistema do Moto Z3 Play. Isto porque a fabricante manteve a sua política de usar um software leve, com poucos aplicativos pré-instalados e visual simplista.

Mas essa também é uma moeda de dois lados: pelo lado positivo, as poucas modificações permitiram que o aparelho fosse entregue com a versão 8.1 do Android – a mais recente até o lançamento do modelo. Pelo lado negativo, no entanto, essa simplicidade também deixa o usuário carente de certos aplicativos.

Caso você não goste do Google Play Música ou do Google Fotos, por exemplo, é bom já ir caçando um bom aplicativo para ouvir músicas e ver suas fotos na Play Store, pois a Motorola não oferece soluções próprias.

Dentre as poucas modificações que a fabricante fez no sistema, é possível ressaltar o aplicativo Moto, que reúne todos os recursos característicos de um Motorola. Com ele, é possível ajustar a Moto Tela, que exibe notificações no display com pouco gasto de energia, e o Moto Ações, que permite ativar algumas funções do aparelho utilizando gestos.

Após utilizar a opção de chacoalhar o aparelho para ativar a lanterna, por exemplo, você nota que o recurso é genial e deveria estar presente em todos os smartphones.

Entretanto, ainda acredito que o Android puro fazia mais sentido quando os aparelhos, principalmente os intermediários, não suportavam as modificações das fabricantes. Hoje, com eles tendo hardware e preço muito mais elevados, a tática de usar o Android puro apenas deixa o aparelho sem diferenciais frente aos concorrentes.

Afinal, é muito difícil achar um aplicativo de terceiro que funcione tão bem quanto uma função equivalente inserida no próprio sistema.

Bateria que pede um Snap

Muita gente ficou decepcionada quando a Motorola lançou o Z2 Play com uma bateria menor que a da primeira geração. Embora nada mais tenha sido retirado e o Z3 Play tenha a mesma bateria do seu antecessor, com 3000mAh, o modelo também traz um processador superior e uma tela maior, o que inevitavelmente resulta em menos horas de uso a cada carga.

Com um uso mediano, não dá pra dizer que o Moto Z3 Play não aguenta um dia inteiro; ele até aguenta, mas caso você jogue um pouco mais, utilize a tela com brilho máximo ou navegue bastante usando os dados 4G, certamente ele chamará pelo carregador antes mesmo do sol se pôr.

“Apesar de isso ser aceitável para um aparelho comum, não faz nenhum sentido para um modelo que, se lembrarmos bem, nasceu para o consumo pesado de mídias, trazendo tela e bateria grande muito antes disso ser moda entre os intermediários (Moto X Play)”

É claro que se perguntássemos à Motorola o motivo dessa escolha, eles explicariam orgulhosos que, no Brasil, o Z3 Play pode ser adquirido com um snap exclusivo de bateria e TV Digital – que inclusive traz 6 meses gratuitos de GloboPlay.

O que a fabricante não fala, no entanto, é que o acessório custa R$ 399 na loja oficial e, se comprado junto do aparelho, o faz ficar R$ 600 mais caro – um preço que, creio eu, poucos estarão dispostos a pagar, apesar de todos os benefícios.

Com tudo isso, não há o que dizer senão que o Moto Z3 Play tem uma bateria bastante abaixo da média. Neste ponto, a única coisa que salva é o bom e velho carregador turbo, que leva o aparelho de 30 a 100% em apenas 50 minutos, aproximadamente.

Preços e considerações finais

Apesar de ter sido anunciado por aqui pela bagatela de R$ 2.399, o novo intermediário da Motorola já pode ser encontrado por bem menos, cerca de R$ 1.799 no varejo. Por esse preço, o aparelho fica com um ótimo custo benefício, competindo acirradamente com o Sony Xperia XA2 Ultra e o Samsung Galaxy A8. E não, não vamos falar do Galaxy S7 por aqui.

Em comparação com o modelo da Sony, o Moto Z3 Play traz uma câmera traseira melhor, um processador mais recente e uma tela maior e mais colorida. Por outro lado, fica devendo em recursos de software, câmera frontal e em bateria, que é um dos pontos mais fortes do concorrente japonês.

Contra o Galaxy A8, por sua vez, o aparelho da Motorola ganha e perde nos mesmos aspectos, já que traz uma tela maior e uma câmera traseira melhor, mas perde na câmera de selfies e também na bateria.

Ainda assim, vale lembrar que o aparelho também tem os seus charmes, e caso você goste do Android puro, busque uma boa câmera traseira e queira uma tela grande, muito colorida e com as menores bordas nesta faixa de preço, o Moto Z3 Play é a opção certa pra você, ainda que a bateria te faça sofrer um pouco.