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Após 15 anos, Facebook vai focar em privacidade

Interações privadas, criptografia, redução do tempo de armazenamento e interoperabilidade são algumas das novas palavras do Facebook.

Na semana passada, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, publicou uma nota sobre o futuro do seu negócio, com “uma visão centrada em privacidade para redes sociais”. Para ele, até então, essas redes eram como praças públicas, mas que, para o futuro, as pessoas preferem se sentir em uma sala de estar.

Para embasar essa “sensação”, Zuckerberg fala de um outro produto sob o seu domínio: o Instagram. “Hoje, nós vemos que mensagens privadas, formatos efêmeros como Stories e pequenos grupos são de longe as áreas que mais crescem na comunicação online. (…) As pessoas estão mais cautelosas em ter um registro permanente do que compartilharam”, escreve.

Ao mesmo tempo que a comunicação entre pessoas é o grande foco dessa nota, Mark diz que as redes sociais públicas “continuarão sendo muito importantes na vida das pessoas”.

Antes de explicar o que será feito, ele faz um mea culpa dos últimos milhões de dados hackeados da empresa e dos escândalos de envolvimento em eleições ao redor do globo com um “imagino que muitas pessoas não acreditem que o Facebook poderia ou gostaria de construir esse tipo de plataforma centrada em privacidade – porque, francamente, nós não temos uma forte reputação atualmente na construção de serviços que protejam a privacidade”.

Basicamente, o que o Facebook pretende fazer é elevar o Messenger e o Instagram a um status de maior segurança, como o WhatsApp, mas ao mesmo tempo trazendo novas formas de proteger as mensagens privadas dos usuários. Os novos princípios dessa plataforma seriam: Interações privadas, criptografia, redução do tempo de armazenamento, segurança, interoperabilidade e armazenamento seguro de dados.

Mark Zuckerberg & A Ordem Da Privacidade

As interações privadas servem para as pessoas terem “lugares simples e íntimos, onde elas tenham o controle sobre quem se comunica com elas”, ao mesmo tempo, a criptografia mantém essas comunicações particulares de maneira segura, onde ninguém, nem o Facebook, hackers ou o governo, possam acessar.

Ao falar em reduzir o tempo de armazenamento, Mark Zuckerberg começa a filosofar sobre as possibilidades: “é o ‘problema da permanência’”; “as pessoas amam manter as recordações das suas vidas. E se todos os posts no Facebook e Instagram desaparecessem, as pessoas perderiam o acesso (…) a experiências valiosas que outros compartilharam.” A opção seria “definir um novo padrão de privacidade (…) onde os conteúdos expiram ou são arquivados automaticamente com o tempo”.

Ele cita os Stories que expiram, a menos que você os arquive. “Por exemplo, as mensagens poderiam ser apagadas depois de um mês ou um ano, por padrão. Isso reduziria o risco de suas mensagens ressurgirem e lhe constrangerem mais tarde. Claro que você teria a escolha de alterar o período de tempo ou desativar a exclusão automática de suas mensagens se você quiser. E poderíamos também oferecer a opção de configurar mensagens individuais para que expirem após alguns segundos ou minutos, se você quiser.”

A interoperabilidade já é algo discutido antes dessa carta. Em janeiro, a Bloomberg revelou que o Facebook planeja integrar o WhatsApp, Instagram e Messenger. Com essa função, pessoas que usam o Marketplace para vender produtos, receberiam no WhatsApp mensagens do Facebook, mas sem necessariamente compartilhar com elas o número de telefone pessoal.

Outra opção viável da interoperabilidade seria “você simplesmente publica um Stories do seu dia no Facebook e no Instagram e pode receber todas as respostas de seus amigos em um só lugar”.

Zuckerberg vai além e fala da integração das mensagens entre aplicativos com o SMS, mas lembra que “há várias questões que precisaremos resolver antes de tornar isso possível”, como a Apple, que não deixa que aplicativos interajam com o SMS em seus dispositivos. O motivo é dado em seguida, mas falando de um produto próprio: “precisamos garantir que a interoperabilidade não comprometa a criptografia que as pessoas já usam e esperam no WhatsApp”.

Com o futuro parecendo mais brilhante, a nota fala do armazenamento seguro de dados e de como o Facebook estaria disposto a perder mercado onde há governos totalitários para garantir que as informações sensíveis dos usuários não sejam armazenadas nesses locais: “há uma diferença importante entre fornecer um serviço em um país e armazenar os dados das pessoas nesse mesmo país”. Destaco:

“Manter esse princípio pode levar nossos serviços a serem bloqueados em alguns países ou que não possamos entrar em outros em um futuro previsível. Estamos dispostos a assumir esse tradeoff.”
Mark Zuckerberg, CEO do Facebook.

O ideal, segundo o CEO do Facebook, seria não armazenar dados de maneira algo, assim como o WhatsApp que não guarda nenhuma chave de criptografia.

Para os próximos passos, Zuckerberg e sua equipe vão analisar todos os tradeoffs e que muito do trabalho está ainda em estágio inicial. “Estamos comprometidos em consultar especialistas, grupos de interesses, parceiros da indústria e governos – incluindo autoridades e reguladores – em todo o mundo para tomar essas decisões corretamente.” O que vem a seguir?

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é editor de internet do Jornal da Globo e escreve sobre tecnologia e games.