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Análise: Moto G7 Plus, tudo o que os fãs da linha sempre pediram à Motorola

O carro-chefe da família Moto G7 oferece uma tela quase sem bordas e promete fotos realmente boas nesta geração – tudo isso sem sacrificar o que já faz sucesso com o público.

Há muito tempo a versão Plus do Moto G deixou de ser o mesmo aparelho com uma tela maior. Em 2019, a Motorola anunciou nada menos que quatro Moto Gs, dando ao Moto G7 Plus a missão de agradar aqueles que buscam boas câmeras, mas também fazem questão do carregamento rápido, a experiência do Android puro e outros quesitos pelos quais a linha já é conhecida.

Tendo isto em mente, o Nova Post passou as últimas semanas testando o mais caro dos novos Moto G. Com um preço indicado de R$ 1.899, confira a nossa análise do Moto G7 Plus.

O design não mudou tanto, mas as cores, sim.

O Moto G7 Plus está disponível apenas nas cores Índigo (um azul bem escuro) e Rubi (esse vermelho estonteante que você vê nas fotos). Embora sejam apenas novas cores, e o dispositivo ainda tenha aquela carinha de Moto G, é inegável que o visual foi refinado e deixou o aparelho a par de concorrentes como o Galaxy A8 e o Zenfone 5 – que também impressionam por seus visuais.

Na parte da frente, novidades um pouco mais significativas: este é o primeiro Moto G com notch, e não é um notch qualquer. O notch em estilo gota tem o espaço necessário para as câmeras e sensores, e acaba sendo diferente dos que já vimos aqui no Brasil.

O resultado é um aparelho que atrai atenção e consegue se diferenciar, mesmo não tendo mudado tanto.

Ainda sobre o notch, vale citar que nem tudo nele são flores. Particularmente, achei ele “profundo” demais, o que acaba deixando a barra de status um pouco espessa. A primeira vista, isso pode parecer um chilique, mas é só abrir um aplicativo e você vê que o espaço utilizado pela barra equivale a uma baita duma borda – sendo que o objetivo do notch era eliminá-las, não?

Felizmente, o consumo de outras mídias, como jogos, vídeos ou filmes, não é tão prejudicado, pois o entalhe em gota é mais discreto que um em barra.

“Não foi dessa vez que o Moto G7 Plus recebeu uma protecão decente contra poeira e água. Sua resistência se limita a “respingos d’água”, mas ao menos ele acompanha uma capa de silicone na caixa e tem proteção Gorilla Glass 3 no vidro frontal.”

Para finalizar o design, é válido citar que o leitor de impressões digitais agora é traseiro – outra mudança importante. Embora eu prefira um sensor lateral, como é no Moto Z3 Play, o espaço liberado na frente melhorou o visual (em relação ao G6 Plus), além de permitir que o logotipo da Motorola seja integrado no sensor – algo que com certeza deixa o visual mais limpo.

Tela e multimídia

A tela do Moto G7 tem 6.2 polegadas, resolução Full HD+ (1080 x 2270) e usa a tecnologia IPS. Na teoria, esse painel está no mesmo nível que o dos concorrentes, mas ele tem peculiaridades que merecem ser citadas. As cores, por exemplo, são mais naturais que a de modelos como o Galaxy A8 ou o Zenfone 5, que tendem a supersaturar alguns tons.

Isso não significa, no entanto, que a tela do aparelho é inferior ou superior a desses modelos. Tudo depende do gosto do usuário, que pode preferir cores que saltam da tela ou algo que represente melhor a realidade, como acontece no G7 Plus.

Outra diferença visível da tela do G7 Plus é que ela tem brancos mais frios e os pretos não são tão escuros quanto os de outras telas IPS que já testei. Em ambientes externos, contudo, essa tela dificilmente é ofuscada pela luz do sol, já que o vidro não é tão reflexivo e o display tem bons picos de brilho (573 nits).

Partindo para o áudio, o Moto G7 Plus não traz grandes novidades, mas assim como ocorre na tela, isso não significa que o modelo desaponta na hora de ouvir músicas: assim como o iPhone e diversos outros lançamentos recentes, o G7 Plus tem um conjunto de áudio estéreo, com o falante principal localizado na parte inferior do aparelho e o falante auxiliar, que é o mesmo utilizado nas chamadas, localizado acima da câmera frontal.

Nos testes do dia a dia, pude perceber que, ao contrário do que acontece nos aparelhos que usam esse método, o falante auxiliar do Moto G7 Plus não está ali só pra dizer que o som é estéreo – ele realmente faz diferença e complementa a experiência. Mesmo assim, vale dizer que o som emitido pelas caixinhas não é dos mais profundos. É bem alto, mas não impressiona pela qualidade.

Nos fones de ouvido, a história é pouco diferente. A Motorola fornece bons acessórios na caixa do dispositivo e, além do conector dedicado de 3,5mm, os fones têm uma ótima qualidade sonora, com graves equilibrados e profundos. Apesar dos fones serem grandes demais aos olhos, a parte intra-auricular é compacta o suficiente para não fazê-los serem desconfortáveis, até mesmo após longos períodos de uso.

NPor fim, devo dizer que o Moto G7 Plus oferece uma experiência satisfatória na hora de ouvir músicas e assistir filmes. Um recurso bem interessante do modelo é o sistema Dolby Audio, que analisa o som reproduzido e o equaliza automaticamente, sem que você precise entender dos ajustes.

Câmeras: finalmente aquilo que importa 

O conjunto ótico foi o que mais mudou no Moto G7 Plus. Agora, o aparelho conta com câmera frontal de 12 MP, que também tem um sensor maior e capta mais luz, além do tradicional sistema duplo de câmeras traseiras, que oferece um sensor principal de 16 MP e um secundário, de 5 MP – mas que serve apenas para captar informações de profundidade e melhorar o modo retrato.

O que realmente melhorou a câmera do G7 Plus em relação ao seu antecessor foi a estabilização óptica (OIS) – que permite ao sensor captar mais luz sem criar distorções e, assim, melhorar o nível de detalhe das fotos diurnas e noturnas. Aliás, este foi o ponto que mais gostei na câmera deste aparelho, o nível de detalhe das fotos.

Nem toda captura sai com aquela nitidez, mas tenho a impressão de que o processamento de imagem no Moto G7 Plus é mais fraco que o dos concorrentes e preserva mais detalhes da foto. Isso fica ainda mais evidente quando se utiliza o modo manual da câmera, onde o HDR fica desligado e a redução de ruído é bem menor.

Naturalmente, durante a noite não tem escapatória: se você tentar utilizar o modo manual, as fotos ficam bem mais escuras e granuladas. Nesses casos, recomendo deixar o modo automático e o HDR ativados, já que nessas condições eles mais ajudam do que atrapalham.

No que diz respeito à câmera frontal, confesso que não gostei do fato das minhas fotos saírem quase sempre borradas, mesmo quando o HDR estava desligado e minhas mãos estavam firmes. Nas vezes em que a foto não saiu borrada, a captação de luz me pareceu bem satisfatória – considerando que este não é um modelo topo de linha e tampouco focado em selfies.

Em suma, o Moto G7 Plus têm sim câmeras bem superiores às das gerações anteriores (principalmente devido ao OIS) e capta fotos mais nítidas que os seus concorrentes. No entanto, ele peca ao não investir em uma câmera frontal melhor ou num sensor secundário que ofereça mais funções.

Modelos como os já citados Galaxy A8 e Zenfone 5 têm propostas mais versáteis e que podem agradar mais quem busca novas possibilidades de foto. O Galaxy A8, por exemplo, tira selfies com qualidade superior, enquanto o aparelho da Asus tem uma lente wide-angle.

Hardware bem aproveitado entrega um ótimo desempenho

O processador que equipa o Moto G7 Plus é o Qualcomm Snapdragon 636, que conta com oito núcleos de processamento e clock máximo de 1.8GHz. Embora haja muita discussão sobre qual processador é melhor, esse ou o Snapdragon 660, a verdade é que não faz muita diferença no final – ambos compartilham boa parte de sua arquitetura e o SD636, por ter um um clock mais baixo, consome menos energia.

Na hora de jogar, no entanto, aí sim você perceberá alguma diferença. Isto porque o Snapdragon 636 traz a GPU Adreno 509, um pouco mais fraca que a Adreno 512 do SD660. Mesmo assim, nada disso significa que eu tive problemas de performance com o Moto G7 Plus – ele não engasgou em nenhum momento e rodou todos os aplicativos com fluidez.

É claro, se tratando de um intermediário, os gráficos dos jogos mais pesados não serão os mais sofisticados (só dar uma olhada nesse print que tirei de Asphalt 9). No entanto, me surpreendi com como o jogo rodou “liso”, mesmo que eu estivesse ouvindo música durante as corridas e alternando de tela várias vezes com o WhatsApp.

No restante da lista de especificações, o Moto G7 Plus não traz grandes números para a briga, são 4GB de RAM, 64GB de armazenamento (com expansão via cartão microSD de slot dedicado), acelerômetro, bússola e giroscópio – o que te permite jogar Pokémon Go com tudo o que se tem direito, por exemplo.
“O Moto G7 Plus aproveita melhor os recursos que tem. A longo prazo, isso deve fazer o modelo sobreviver mais tempo que os rivais sem apresentar engasgos ou lentidão”

No que tange às especificações, o Moto G7 Plus oferece o mesmo que a concorrência, mas há algo que faz ele parecer mais rápido, mais responsivo ao toque, que o Zenfone 5 ou o Galaxy A8, por exemplo. Provavelmente o que causa essa impressão é a otimização do sistema, somado ao fato do software ser mais enxuto que nesses dispositivos.

O sistema, por sua vez, precisa de uma repaginada

Montado sobre o Android 9.0 Pie, o sistema utilizado no Moto G7 Plus segue a receita de sucesso da Motorola: é rápido e tem poucas adições em relação ao Android “puro”. O visual simplista da interface, no entanto, pode incomodar. A Motorola utiliza esse padrão verde com branco há muitos anos e não há como negar que ele já está cansado.

Felizmente, a fabricante também manteve os recursos de sucesso das antigas gerações, como o Moto Tela, que exibe as notificações recentes toda vez que você pega ou se aproxima do telefone, e o Moto Ações, que permite ativar a navegação por gestos do Android Pie e outros, como o para abrir a câmera e ligar a lanterna.

“A personalização que a Motorola faz no Android é eficiente, adicionando apenas o essencial e as novidades de cada versão. O visual, no entanto, está se tornando mais do mesmo.”

Uma parte boa do fato da Motorola não mexer muito no Android “puro” é que, quando o Android puro ganha algum novo recurso, é bem provável que os aparelhos da marca também o terão.

No caso do Moto G7 Plus com Android Pie, as novidades que chegaram com o Pie são o tema escuro, a otimização inteligente de bateria, que limita o consumo de apps pouco utilizados, e o chamado “Bem-estar Digital” – um recurso do novo Android que permite ao usuário controlar melhor o tempo gasto no smartphone.

No caso desse último item, vale citar que, embora já existam modelos com o Android 9.0 Pie no Brasil, a linha Moto G7 é a primeira a chegar por aqui com esse recurso funcionando.

Carregamento turbo em tempo recorde 

Bateria sempre foi um destaque nos aparelhos da Motorola, e por mais que o Moto G7 Plus não seja o modelo com a maior autonomia dessa geração (que fica por conta do Moto G7 Power), sua bateria sempre chegou ao fim do dia com 10 ou 15% restantes – isso em todo o período no qual eu o testei.

No que diz respeito ao tempo de tela, a autonomia também agradou, variando entre seis horas e meia e sete horas de tela ligada – isso com o Wi-Fi e o Bluetooth ligado em boa parte do tempo. Nos dias em que utilizei mais o 4G, o aparelho começou a chamar pela tomada com cerca de 6 horas de tela. Uma média muito boa, eu diria.

Na hora de colocá-lo para carregar, a conexão USB tipo-C deixa tudo mais fácil, e o carregador Turbo Power, incluso na caixa, leva a bateria de 5 a 100% em cerca de uma hora (!!!) – um número simplesmente incrível.

A única coisa que impede esse carregador de ser perfeito (para algumas pessoas) é que sua entrada também é USB-C – o que dificulta utilizá-lo em outros aparelhos e faz o usuário precisar de outro cabo (além do incluído na caixa) caso ele queira conectar o celular a um computador que não tem portas USB-C.

Vale a compra ou não? 

A Motorola conhece bem o seu público e, justamente por isso, não está tentando agradar todo mundo. A fabricante melhorou aquilo que julga ser necessário, como as câmeras e o aproveitamento de tela e procurou manter o que já faz sucesso em seus smartphones, como o sistema livre de aplicativos pré-instalados e o carregamento turbo.

Se esses pontos acima realmente são importantes para você, é bem provável que o Moto G7 Plus irá te agradar e muito. Porém, se você busca novos ares e procura um design ousado, uma tela que salte aos olhos ou um sistema mais colorido, com coisas que você ainda não experimentou, acredito que as outras opções disponíveis na categoria.

Por fim, vale lembrar que o preço cobrado pelo Moto G7 Plus é de R$ 1.899, tendo como base o site da própria fabricante, mas que também é possível encontrá-lo no varejo online por R$ 1.700 ou até menos, em algumas promoções.

Nesta faixa de preço, o modelo também acaba competindo com o Moto Z3 Play, que embora tenha um design já ultrapassado, reúne boa parte dos pontos fortes do novo G7 Plus a uma tela AMOLED e sem notch – para aqueles que assim preferem.