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Análise: Huawei P30 Pro, os chineses chegaram

Cansado de escolher entre um Samsung Galaxy S ou um iPhone? O seu próximo top de linha pode ser o Huawei P30 Pro.

Não tem mais escapatória. Enquanto a Sony dá adeus ao mercado mobile do Brasil, um novo player se aproxima e é a Huawei. Chegando com os dois pés no peito, o Huawei P30 Pro é o novo competidor no setor superpremium brasileiro e promete uma briga boa contra os já consagrados Samsung Galaxy S e o iPhone, da Apple.

Pude passar as últimas duas semanas com o Huawei P30 Pro, cedido pela assessoria da empresa chinesa, e fui surpreendido com a qualidade do aparelho. Preparado para “reescrever as regras da fotografia”, o P30 Pro é ainda mais do que câmeras. Veja a análise abaixo:

De olho na Lua: as supercâmeras do Huawei P30 Pro

Não é uma análise convencional e tampouco um smartphone convencional. O destaque do Huawei P30 Pro é o seu conjunto de quatro câmeras desenvolvido em parceira com a a Leica, tradicional fabricante de câmeras profissionais.

Começando pela parte de trás, o P30 Pro traz uma câmera principal com 40 MP de resolução, e embora já exista aquela máxima de que “megapixels não são tudo”, é importante ressaltar que aqui eles são usados de uma maneira diferente: conhecida como pixel-binning, a técnica utilizada nesta câmera faz cada quatro pixels funcionarem como um só, assim eles ficam virtualmente maiores e capturam muito mais luz.

Por causa disso, a grande maioria das fotos a serem tiradas no P30 Pro têm só 10 MP de resolução, mas não é como se os outros 30 não fizessem diferença – na verdade, eles são a principal razão dessa câmera ser tão boa para fotos noturnas. Ainda no sensor, outra novidade é que a Huawei optou pelo padrão RYYB (e não RGB), substituindo o verde por pixels amarelos, que coletam 40% mais de luz, segundo a empresa.

Há também uma câmera ultra-wide de 20 MP e uma telefoto de 8 MP, que usa um sistema de espelhos para tornar o superzoom de 50x possível. A quarta câmera é um sensor de temperatura de cor, que dá o toque final para os seus cliques. A dica sempre é: ao fazer uma foto, mantenha o celular parado por mais uns dois segundos que o P30 Pro melhora ainda mais o clique.

Há diversas tecnologias no conjunto de câmeras e a Inteligência Artificial, que eu recomendo que você deixe sempre ativada, te ajuda a fazer as melhores fotos. Ela reconhece 22 cenários, como animais, plantas, pessoas e até a Lua. Aponte a câmera para o seu amigo e automaticamente o celular sugere o Modo Retrato. Aproxime bastante de um objeto e o Modo Macro é ativado. Ah, e se você vir a Lua, dando aquele zoom de até 50x, você talvez veja algo assim:

Tudo bem, há uma belíssima polêmica de que você talvez não esteja fazendo a foto da Lua como você acha que está fazendo, como diz o Android Authority aqui. A Huawei, óbvio, nega e diz que o Modo Lua funciona como qualquer outro modo de Inteligência Artificial e que a foto é sempre legítima. De qualquer maneira, é bem melhor do que aquele ponto amarelado que vemos todos os outros celulares fazendo.

Truque ou não, o P30 Pro tem trunfos reais nas câmeras, como acontece na lente telefoto: graças a um sistema que “dobra” a trajetória da luz dentro do smartphone, essa lente tem um zoom óptico, aquele que não compromete a qualidade da imagem, de até 5x. Caso você precise aproximar ainda mais, o zoom híbrido de 10x promete mais qualidade que o digital e o zoom digital de até 50x não tem compromisso nenhum com a definição da imagem, mas é simplesmente o maior que já se viu num smartphone.

O celular conta também com dupla estabilização óptica, lente periscópio, efeitos bokeh-pro multinível e selfie com AI e HDR+. Traduzindo tudo isso, você vai ter fotos muito boas nos mais diferentes ambientes.

É, claro, nem tudo são flores e às vezes a Inteligência Artificial pode não ajudar como o esperado. As fotos no Modo Retrato não me agradaram tanto, por exemplo, e o Modo Noite pode não sair como esperado. Aliás, esse é um dos pontos de destaque do celular. Seja com baixa luminosidade (ou sem luz nenhuma), o celular consegue fazer fotos muito bacanas nas piores condições de luz. O truque é ter um tripé por perto ou uma mão muito firme.

Por exemplo, se você estiver numa festinha e quiser fazer aqueles cliques impossíveis, não tema mais, às vezes tudo o que você precisa é de cinco segundos. Claro, dependendo do ambiente, o Modo Escuro pode puxar muito a cor da luz e dar um efeito estranho para a foto, mas de maneira geral é impressionante o que a câmera faz. Não é à toa que o Huawei P30 Pro tem uma das melhores câmeras do mercado.

Beleza oriental: um novo estilo

Pode parecer estranho, já que boa parte dos celulares vêm do outro lado do mundo, mas a Huawei chega ao Brasil com um visual que a Samsung começou a imprimir nos seus celulares só agora: cores chamativas e com degradê. Para quem está acostumado com o estilo americano do iPhone, o P30 Pro é mais apelativo do que a aquarela do XR e o padrão de celular preto e branco da maioria das fabricantes.

Os nomes das cores são interessantes: Amber Sunrise, Aurora, Black e Breathing Crystal. O modelo que eu testei é o segundo: o azulado. Tirando o Preto, a traseira dos aparelhos é bastante chamativa e é outro grande diferencial dele.

Para os detalhistas, no entanto, a quantidade de informação que a Huawei imprime na parte de trás do smartphone vai além do necessário: está escrito LEICA, o modelo da câmera, a logo da empresa, informações da empresa, além das certificações padrões dos celulares.

As laterais do aparelho acompanham a traseira, transformando o celular em um corpo único. Ele tem dois microfones na parte de cima, e na parte inferior ele tem uma saída de áudio, uma porta USB-C e a entrada para dois chips. Na lateral direita há o botão de força e o de volume.

Indo para a tela, aqui temos uma OLED com resolução FHD+ de 6,47 polegadas. Tão infinita quanto ela pode ser, o display tem uma pequena interferência em formato de gota na parte superior central, onde está a câmera de selfie de 32 MP.

O leitor de impressão digital está embaixo da tela e, diferente do Galaxy S10, a Huawei usa um sensor de luz. A sacada genial é que o smartphone reconhece quando você está aproximando o dedo e te mostra exatamente onde colocá-lo para desbloquear o celular. No meu uso, não tive problema para configurar a digital ou abrir a tela inicial do aparelho.

Ainda sobre o display, ele tem uma ligeira curvatura, assim como os Galaxy S. Outra novidade é que por não ter um alto-falante próximo da câmera frontal, a Huawei usa uma tecnologia que emite o som pelo vidro, assim você consegue ouvir uma pessoa na ligação sem problemas. Por enquanto, essa função só está disponível em telefonemas.

Com isso, a empresa tomou uma decisão arriscada de deixar um único alto-falante. E para todas as outras questões envolvendo áudio, nem sempre a tecnologia Dolby Atmos salva o dia, já que é normal colocar a mão na saída de áudio ao ver uma série ou filme. Ele também não tem uma entrada padrão para fones de ouvidos, então não esqueça de levar um fone bluetooth ou a cópia dos EarPods da Apple, com USB-C, sempre com você.

Potência e velocidade de sobra

O Huawei P30 Pro usa o processador Kirin 980 (a empresa disse que não era para chamar assim, mas para fácil entendimento, o chip é parecido com o Snapdragon 855, um processador voltado para smartphones top de linha), tem 8GB de RAM e pelo menos 128GB de armazenamento interno – o modelo que eu usei tinha 256GB.

O celular roda Fortnite que é uma beleza e, consequentemente, qualquer app que exija mais do smartphone. Não tive problema ao abrir e fechar aplicativos e os mais tradicionais abrem com mais velocidade do que em outros celulares Android.

Mesmo na opção “de entrada”, os 128GB de armazenamento interno são ideais para a maioria dos usuários e a Huawei percebeu que uma opção de 64GB ficou pouco até para os menos exigentes. Na parte de hardware, pode assinalar a caixa da potência, ele vai te surpreender.

O software, por outro lado…

O Huawei P30 Pro já está no Android 9 Pie e usa uma camada personalizada chamada EMUI, na versão 9.1.0. Diferente da OneUI da Samsung que é louvável, a empresa chinesa mistura um pouco da cara do iOS com o pior do Android. Não é agradável, os ícones padrões são estranhos e, por favor, alguém me deixa excluí-los da tela inicial.

É simples: se em 2019 a fabricante não conseguiu desenvolver uma solução bonita, não precisa exagerar, vai com o Android puro e vida que segue. A EMUI acaba sendo frustrante e te pede insistentemente para adicionar uma conta na nuvem da Huawei, que acaba garantindo à empresa acesso aos dados do usuário de uma maneira invasiva.

O ponto positivo da EMUI, pelo menos, é a combinação de aprendizado de máquina e AI, que permite que, com o tempo, o celular entenda quais apps você usa mais e o que é mais importante para você no dia a dia, fazendo com que eles abram mais rapidamente.

Bateria generosa e com carregamento ultrarrápido

Outro ponto positivo do Huawei P30 Pro é a bateria de 4.200 mAh. A empresa chinesa considera-a tão boa que traz o carregamento reverso. Apesar de serem os pioneiros na tecnologia, foi a Samsung quem trouxe isso primeiro para o Brasil com o Galaxy S10. Ou seja, você pode usar o P30 Pro para carregar outros smartphones ou acessórios que usem o padrão Qi.

É claro, se você pensar que o celular tem uma protuberância nas câmeras e a traseira é lisa, talvez seja preciso segurar com firmeza o acessório ou segundo smartphone para garantir que ele seja carregado pelo tempo necessário.

Com um carregador de 40W, bem superior ao de qualquer outro smartphone, ele traz o Fast SuperCharge, que completa 70% da bateria do celular em 30 minutos. Por alguns segundos, inclusive, é possível ver o quão rápido a carga do aparelho vai subindo.

Por ter um carregador wireless reversível, saiba que ele também pode ser carregado sem fio. Uma certeza é que o P30 Pro não vai te deixar na mão e, se você precisar de uma ajuda de software, é possível otimizar e muito a bateria para fazê-la durar até o último segundo.

É o Huawei P30 Pro o celular que você quer?

É? Por R$ 5.499, a Huawei mira no mesmo público do Galaxy S10+ e dos iPhones mais caros. Ainda assim ficam algumas questões em aberto. A empresa disse que vai ter assistência personalizada 24 horas por dia, sete dias na semana via telefone ou web, mas como isso vai funcionar para reparos físicos? A primeira unidade que me enviaram teve um problema que deixou o celular em Modo de Recuperação eternamente. 

Esses detalhes a parte, o Huawei P30 Pro me impressionou. As especificações dele são praticamente impecáveis – e eu te disse também que ele tem IP68 de resistência à água e poeira?

O P30 Pro tem tudo o que você espera de um smartphone premium, principalmente se as fotos são a sua maior preocupação. Mas se você também se preocupa com a bateria, pode ficar tranquilo. E em relação ao processador e armazenamento interno, também.

Pelo custo dele, é uma aposta ousada para uma empresa que está chegando ao Brasil agora. Mas por que não? São “só” R$ 5.499.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é editor de internet do Jornal da Globo e escreve sobre tecnologia e games.