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“Não é precipitado lançar a QLED 8K, é ousado”, diz Guilherme Campos, da Samsung

Nova Post conversou com o gerente da divisão de TVs da Samsung, Guilherme Campos, sobre o lançamento da QLED 8K, mercado e nova resolução.

A Samsung anunciou em abril o novo portfólio de QLEDs com a maior novidade, a QLED 8K, a primeira TV no país com resolução 8K. Se para muitos brasileiros a realidade do 4K ainda está longe, a companhia sul-coreana puxa a resolução da tela ao limite. Ao todo, são 33 milhões de pixels (o 4K tem 8 milhões).

Além disso, a empresa também aposta no mercado de telas grandes com modelos de 65, 75, 82 e, em breve, 98 polegadas. A TV conta com o HDR mais premium com potencial máximo de brilho de 4.000 nits, possível apenas porque a tela usa um LED inorgânico de pontos quânticos. Junte isso à camada de Inteligência Artificial, um novo controle de iluminação por zonas, que fideliza ainda mais o preto da tela, 10 anos de garantia contra burn-in, controle remoto único e temos o lançamento do ano em televisores.

Conversamos com o gerente sênior de produtos de TV da Samsung Brasil, Guilherme Campos, sobre a QLED 8K, que marca esse novo período de telas em conteúdos numa ultrarresolução, além da consolidação no mercado das telas 4K.

Nova Post: A QLED 8K chega ao mercado brasileiro por R$ 22.999, no modelo de 65 polegadas. E, apesar de cara para a realidade brasileira, ela tem, na verdade, um preço bem agressivo. Como vocês conseguiram chegar nele?

Guilherme Campos: Pensar numa TV 8K com esse preço é uma oferta muito interessante para boa parte dos consumidores. Para a Samsung, a gente pega desde um consumidor que compra uma TV de 32 polegadas básica, atendendo-o com respeito, oferecendo o melhor produto, até um segmento alto duma TV de ponta com uma tela 8K.

O fato da gente fabricá-la aqui ajuda na composição do preço mais agressivo possível. A Samsung não está fazendo com a 8K um produto meramente marqueteiro para voce ter em 10 lojas e os consumidores nao irem atrás e comprar. A ideia é cobertura de ponto de venda, cobertura nacional, inclusive. O desejo é de comercialização. Sim, ousamos. E estamos voltados para o consumidor de olho nas últimas tecnologias.

Nova Post: A Samsung não se antecipou ao trazer o 8K? Porque ainda há uma barreira sobre o 4K. Temos a Netflix, o GloboPlay, Apple TV e YouTube com conteúdos nessa resolução, mas só.

Guilherme Campos: Se a gente voltar no tempo, lá em 2013, quando começaram a surgir as TVs 4K, naquela época, havia-se uma preocupação sobre a disponibilidade de conteúdo 4K. Do lado da Samsung, quando foi lançada a tecnologia, a gente fez uma previsão de vendas, que acabou superando todas as nossas expectativas.

Em termos de conteúdo, em 2013, a gente já tinha parceiros com 45 títulos em 4K. Hoje, a gente estima cerca de 1.500 nessa resolução no mercado. Tem aplicativos da Globo, Netflix, Amazon, Google Play e em breve iTunes com 500 filmes em 4K. A própria NET tem decoder de TV em 4K. Filmes em 4K. Ano passado, a Samsung disponibilizou os grandes jogos de futebol ao vivo nessa resolução com a SporTV. A gente espera nada menos do que isso com o 8K.

A Samsung se antecipou? Não. A Samsung ousou, foi lá e lançou. Alguém precisa dar o primeiro passo. Vamos todo mundo se preparar: Samsung e provedores de conteúdo.

Nova Post: Quais são os parceiros que efetivamente já estão gravando em 8K? Quando poderemos assistir o “primeiro conteúdo” em 8K na nova QLED?

Guilherme Campos: A Globo está produzindo conteúdo em 8K. Eles já têm algumas tomadas do carnaval, do Rio de Janeiro e até de esporte nessa resolução. Eles já estão experimentando.

Ainda não há previsão para conteúdo nativo em 8K, mas esperamos o mais rápido possível. Pelo empenho dos parceiros, a gente quer que aconteça nesse ano ainda.

Nova Post: Então o consumidor que optar pela 8K vai ficar só no upscaling?

Guilherme Campos: Falando do conteúdo nativo 8K, ele será transmitido com todos os 33 milhões de pixels, lembrando que o 4K tem 8 milhões e o Full HD, 2 milhões. Nós notamos três grandes benefícios do upscaling de conteúdos em outras resoluções: contorno, textura e profundidade.

Os contornos das imagens ficam muito mais precisos e não te dão a sensação de que os pixels estão saltando para fora. A precisão é surreal. Outra questão muito bacana é o entendimento de textura, você consegue perceber quais objetos são lisos, ásperos e rugosos. Já a profundidade que a TV entrega, com a quantidade de pixels, tem gente que diz que é quase o 3D sem óculos.

O 4K já faz um bom upscaling, mas agora na QLED 8K, a gente usa Inteligência Artificial. A TV busca referências em tempo real, cena por cena, para trazer a melhor resolução. Antes, se você precisasse de cinco pixels para preencher entre um pixel branco e outro verde, a TV faria um degradê. Agora, com IA, a TV entende qual cor cada pixel deve ter, o que melhora a experiência, sem dúvida alguma.

Chega em 8k? Não. Nenhum conteúdo com upscaling chega na resolução nativa. Mas se voce coloca uma 4K e uma 8K lado a lado, tem uma grande diferença.

Nova Post: E reproduzir conteúdo em 8K não vai ser um problema? Qual a velocidade de conexão recomendada para fazer o stream?

Guilherme Campos: Eu prefiro não te precisar isso, porque a gente está fazendo testes efetivos de transmissão tanto por streaming quanto no ao vivo. Supondo que a gente deixasse para lançar daqui um ano [a QLED 8K], a gente ia passar pela mesma coisa. Estamos ganhando tempo, acelerando o mercado, todos juntos, para fazer isso acontecer.

Essa intersecção precisa acontecer e se o produto nao tá no mercado, ele não recebe a devida atenção. Não é precipitado lançar a 8K, é ousado.

Nova Post: Quais são os outros diferencias da QLED 8K, além da resolução?

Guilherme Campos: Upscaling, maior volume de brilho do mercado… A Samsung passa por uma mudança no segmento de TV que reflete um novo interesse de muitos consumidores. O Modo Ambiente 2.0 pra essas novas QLEDs é um deles, por exemplo. Quando voce não está usando a TV, ela fica combinando com a sua casa.

A TV passa a ter multifunções, ela não precisa ficar longe da parede. Ela não precisa ficar com os fios todos jogados. O consumidor precisa tirar a TV da parede pra ter que conectar um cabo HDMI? Isso não existe com o One Connect. Não preciso mais ter essa preocupação.

O Controle Remoto Único da QLED é capaz de controlar os periféricos além de renomear todas as entradas HDMI automaticamente. Essas são tecnologias que trabalhamos há alguns anos. Nenhum outro player consegue fazer uma composição de custos interessante para colocar tamanhas exclusividades como nós.

Nova Post: No ano passado, conversamos com o Erico Traldi sobre a QLED 2018 e a Bixby era uma promessa para 2019. Quando teremos a assistente de voz inteligente em português na TV?

Guilherme Campos: Bixby. É um desafio dentro de casa, porque envolve uma gestão de custos muito grande a nível global. Ainda não tem uma previsão para 2019.

Nova Post: Nos últimos anos, a Samsung bateu na questão da tela curva. Dessa vez, no entanto, esse modelo ficou na lembrança. É o fim das telas curvas de TV?

Guilherme Campos: Não é o fim. Esse portfólio [8K e 4K] da Samsung é recheada de novidades. A tela curva traz mais conforto visual, mas é uma tela logisticamente difícil de ser operada, tem toda uma complexidade, então não trouxemos para o Brasil, apesar de existir em outros mercados. Como esse ano foi de várias mudanças importantes, a gente deu um espaço para telas planas, mas continuamos apostando nesse outro modelo.

Nova Post: A Samsung anunciou em primeira mão a chegada de filmes da iTunes Store e suporte ao AirPlay 2. Quando essa função chega e para quais TVs?

Guilherme Campos: A ideia é que seja tudo duma vez. A expectativa é partir do final de maio. As TVs 4K de 2018, com a NU7100 e para cima e também as 4K de 2019.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é editor de internet do Jornal da Globo e escreve sobre tecnologia e games.