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Análise: Beats Studio3 Wireless, quando toca o silêncio

Procurando um fone over-ear e com cancelamento de ruído? O Beats Studio3 Wireless pode ser a escolha ideal, principalmente para usar com dispositivos Apple.

Já faz quase dois anos que a Beats anunciou o Beats Studio3 Wireless. O fone over-ear e com cancelamento adaptativo de ruído traz, dessa vez, uma pitada diferente: com o chip W1, da Apple, ele tem o apelo da marca do Dr. Dre, mas com a tecnologia da empresa de Cupertino. Cedido pela assessoria da Beats, pude testar nos últimos 30 dias o Beats Studio3 Wireless, da coleção Skyline, na cor Azul Cristal.

Esse modelo foi lançado em outubro de 2018, mas conta com as mesmas especificações da sua primeira tiragem em 2017. Confira o review dos fones over-ear.

Design, acabamento e conforto

O Beats Studio3 Wireless tem a cara de um produto Apple. Com atenção aos detalhes, é fácil perceber a primeira investida da empresa de Cupertino na nova fase da Beats by Dr. Dre. No modelo cedido para testes, o azul claro adorna com o acabamento bege interno e as hastes de metal dourada – da mesma cor que o “b” dos lados e o “beats” da parte superior.

Por se tratar de um fone over-ear, isso significa que ele cobre todo o seu ouvido, garantindo um isolamento extra do som apenas por isso. As almofadas são de couro sintético e não incomodam, mesmo ao usar o headphone por horas a fio.

Ele conta com hastes ajustáveis, encaixando-se da melhor maneira ao formato da cabeça de cada pessoa, porém a almofada do arco não é tão acolchoada (é de silicone) e dá uma sensação estranha de esquentar-prender. Por vezes tive que reajustar os fones na cabeça para tirar esse desconforto.

Os meus testes mais intensos foram numa viagem de avião de cerca de 10 horas, onde passei a maior parte do tempo com o Beats Studio3 Wireless nos ouvidos e, de fato, o que mais me incomodou foi o arco superior e não as almofadas da saída de som. Foram quase cinco horas até sentir algum desconforto no ouvido esquerdo. Aí foi só dar uma ajustada e pronto.

O Studio3 Wireless conta com uma porta microUSB (que terá a devida atenção na seção “Bateria”) do lado direito e o botão de “liga/desliga/pareia” junto do indicador de bateria. Do lado esquerdo, ele conta com uma entrada P2 para cabear o fone (não o seu iPhone, mas talvez o iPad ou o Mac) e também os botões sensíveis ao toque para aumentar/diminuir volume e pausar/play/pular/retroceder faixa do jeito que você espera.

Acima do “b” você aumenta o volume, abaixo você diminui. No centro, um toque é play/pause. Dois é avançar. Três, retroceder. Segurar significa ativar a Siri.

O problema, no entanto, é algo que a Apple resolveu na segunda geração dos AirPods: ok, é legal ter controles físicos, mas não é nada bacana ficar batendo no seu ouvido. E os cliques no Beats Studio3 Wireless são bem mecânicos, ou seja, “tec-tec-tec-tec-tec”. Poderia ser um controle sensitivo de touch ou apenas um “E aí, Siri”.

Por dentro do Apple W1

Já foi dito nessa análise como o Beats é bonito e chamativo, mas na verdade é dentro dele que a mágica acontece. Com o chip W1, da Apple, o mesmo presente nos AirPods de primeira geração, ele permite uma conexão simplificada entre todos os seus dispositivos Apple.

O processador traz uma conexão bluetooth mais estável, pareamento com apenas um toque e a troca entre dispositivos também é simples, sem ser necessário ficar despareando e pareando do iPhone para o iPad, Mac ou Apple TV.

Se você pretende usá-lo com um computador Windows ou um smartphone Android, o Beats Studio3 Wireless funcionará como um fone bluetooth normal. O processo de conexão levará um ou dois passos extras, mas nada que de fato incomode.

Olhando para os recém-lançados AirPods 2, uma das funções que mal posso esperar para os fones over-ear da Beats terem é o chip H1, dedicado para áudio. Eles melhoram ainda mais a estabilidade da conexão, diminuem em 30% a latência do som e se conectam mais rápido aos dispositivos.

Para um fone de 2017 em 2019, o Beats Studio3 Wireless ainda faz bonito e o chip W1 não apresenta idade, mesmo com esse upgrade de outros produtos.

Som: quando o silêncio diz tudo

Os fones da Beats são conhecidos por exagerarem nos graves. Sinceramente, a experiência de usar um fone do Dr. Dre mudou de 2012 para cá. Ok, na época eu usava um Solo2 que literalmente se desfez, mas é interessante ver que junto da valorizada padrão nos graves, os tons médios e agudos são bem equilibrados.

O Studio3 Wireless traz, para mim, a pura experiência de ouvir música – e que poderia ser até melhor aproveitada se o Apple Music tivesse uma assinatura de Alta Fidelidade, como é o caso do Tidal.

Seja um rock mais moderno, pop ou um harmônico com várias vozes, o Beats costuma se sair bem em todos os cenários. Ao testar uma das playlists com curadoria da Apple (Atração Principal), Mr. Brightside e Boys Don’t Cry não parecem entregar 100% do que eu esperava ouvir. Em contrapartida, R U Mine?, If You Wanna e Use Somebody pegam todo o potencial desses fones de ouvido.

As músicas mais dançantes como On a Roll, da cantora Ashley O (Miley Cyrus, em Black Mirror) e a playlist da WWDC19 aqui, de novo, tiram o melhor proveito do Studio3 Wireless.

Geralmente, costumo ouvir as músicas em um volume de 60%. Além de já ter isolado os sons externos há um bom tempo, eu sinto que aproveito mais a música. Também não há problema em ouvir as canções em um volume mais baixo. Agora, muito mais alto que 60-70%, não recomendo pela saúde dos seus tímpanos mesmo.

O cancelamento adaptativo de ruído ativo do Beats Studio3 Wireless é contínuo. A todo tempo ele está percebendo os sons ao redor e balanceando para que você não os ouça. Para música ele funciona perfeitamente, ao assistir séries no avião, por exemplo, dá para ouvir um pouquinho da turbulência, porque as saídas de áudio não estão sendo usadas ao máximo, mas o cancelamento de ruído traz exatamente o que você quer: paz.

Bateria: ela acaba?

Para mim, os maiores testes foram dois voos de 10 horas (pelo menos umas seis horas de reprodução em cada um), espera no aeroporto e algum consumo à noite no hotel. Mesmo assim, isso não foi o suficiente para acabar com a bateria do Beats Studio3 Wireless.

A empresa promete 22 horas de duração e que o chip W1 aumenta a eficiência da bateria. Um ponto positivo do Studio3 Wireless é o Fast Fuel, que em uma carga de dez minutos, você ganha três horas extras de autonomia.

Os pontos negativos do Fast Fuel/Studio3 Wireless são: usa microUSB. Mesmo que em 2017, o ideal seria o fone ter uma entrada Lightning, igual a dos iPhones, ou USB-C, que é o padrão que já fazia sentido há dois anos e agora ainda mais. Você também precisa de uma tomada compatível com carregamento rápido, já que não vem na caixa.

Se você quiser ainda mais bateria, ao desligar o cancelamento de ruído, e ficar no modo de pouca energia, é possível chegar até 40 horas de reprodução de música.

Agora, se a bateria de fato acabar, não adianta conectar o cabo P2 no celular e no fone que ele não vai funcionar. Mesmo com fio o fone precisa ter alguma carga.

Vale a pena?

O Beats Studio3 Wireless é a junção de beleza e potência. Uma das coisas que mais me agradam nos fones são as diversas coleções, como essa aqui recém-lançada para os modelos Solo3. É uma maneira de cada consumidor mostrar “o seu estilo”. Eles contam com uma case preta para você guardar os fones dobrados, mas também ficam confortáveis em volta do pescoço. O problema, porém, é usar um Beats na rua. Assim como o iPhone ou o Apple Watch, são produtos chamativos.

Essa coleção Skyline tem cores marcantes, como é o caso do Azul cristal e Areia do deserto. E acima você vê todas as versões disponíveis. Particularmente, não me sinto tão a vontade usando esses fones na rua, diferente dos AirPods ou dos Galaxy Buds. Porém transformá-los em um fone de aeroporto ou só de ficar em casa parece um tanto quanto pretensioso.

Se você pretende investir R$ 2.499 (US$ 349, nos EUA) em um desses (no varejo você encontra por um preço mais em conta), também lembre que eles não são ideais para exercícios físicos, como algumas pessoas esquecem. Se quer uma solução fitness, toque aqui. Você pode acabar estragando o couro sintético com o suor, fora que é importante que você preste atenção ao seu redor (dica de Pokémon GO).

Como disse, os fones são muito bons, entregam uma qualidade de som acima da média e são estilosos. Mesmo tendo quase dois anos, o Beats Studio3 Wireless dá conta do recado e entrega o que promete. Se a sua busca é por um over-ear com cancelamento adaptativo de ruído, aqui está.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é editor de internet do Jornal da Globo e escreve sobre tecnologia e games.