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Análise: Motorola One Vision, fotos noturnas como nenhum outro intermediário

Motorola One Vision CAPA
Com design diferentão e Android One, o novo intermediário da marca aposta nas câmeras para se destacar dos demais.

Com o preço indicado de R$ 1.999, o Motorola One Vision desembarcou no Brasil em maio, com a promessa de ser o sucessor do Motorola One, além de uma alternativa para os fãs da marca que desejam algo mais sofisticado que os modelos da família Moto G7. Para se diferenciar dos irmãos, inclusive, o lançamento traz novo design, processador mais potente e novas câmeras, sendo a frontal montada diretamente sobre a tela.

Na intenção de descobrir se tudo isso faz o Motorola One Vision valer o seu preço e ser páreo para os concorrentes (inclua o Moto G7 Plus nessa lista), o Nova Post passou o último mês testando a fundo o aparelho, que foi cedido pela assessoria de imprensa da fabricante.

Design: este é o Motorola mais bonito que você verá nos próximos meses

Motorola One Vision traseira

A primeira coisa que você nota ao olhar pro One Vision é que ele é diferente dos demais Motorolas, é quase como se ele fosse de outra marca. Na parte traseira, por exemplo, as câmeras redondas da linha Moto deram lugar a um conjunto vertical, enquanto as cores também se tornaram mais sóbrias – pode ser um azul bem escuro ou esse marrom, que a fabricante chama de bronze.

Já na parte frontal do modelo, o grande destaque é a interferência em forma de “O” que abriga a câmera frontal. Graças a ela, o One Vision tem um visual mais descolado, similar ao do Galaxy S10e, e elimina a necessidade de se ter um notch, já que os sensores e o falante de chamadas ficam bem espremidinhos na borda de cima.

Apesar de todas essas mudanças, nenhuma delas me causou tanto espanto ao pegar o Motorola One Vision pela primeira vez quanto o seu aspecto de tela. Isso porque o lançamento da Moto é um dos primeiros do mundo com um display em proporção 21:9, o que faz a tela ser bem esticada verticalmente e mais estreita horizontalmente.

A princípio, causa estranheza, mas eu confesso que gostei e acho que faz muito sentido, principalmente se lembrarmos que a maior parte das interfaces é vertical – olha só o Feed de Notícias do Facebook, a timeline do Instagram e as conversas do WhatsApp. Em todos esses apps, é possível ver mais conteúdo de uma vez se você tem uma tela como a do Motorola One Vision.

“Embora esse aspecto mais esticado deixe a barra de notificações mais longe do alcance dos dedos, isso só irá incomodar quando o aparelho for usado com uma só mão.”

Já no que diz respeito a qualidade desse display, é importante frisar que ele traz tudo o que se espera de um intermediário premium – ou seja, tem brilho suficiente para não ser ofuscado pelo sol, cores equilibradas, pretos bastante profundos, alta resolução (Full HD+, ou 1080 x 2520 pixels) e um tamanho mais que satisfatório, 6,4 polegadas.

Todo esse conjunto faz o One Vision ser um belíssimo dispositivo, talvez o mais bonito da sua faixa de preço: mais de uma vez eu fui questionado por amigos e conhecidos se estava testando um topo de linha.

Para ser melhor, só faltou oferecer proteção contra água e poeira.

Som que agrada ao ouvido, mas não surpreende

A experiência de áudio no Motorola One Vision é agradável, mas como se trata de um intermediário, não tem nada surpreendente. Os fones enviados na caixa do aparelho são os mesmos que encontrei na do Moto G7 Plus – ou seja, eles são um pouco grandes, mas não incomodam no ouvido e têm um áudio satisfatório, com profundidade e graves bem pronunciados.

No que diz respeito ao som que sai dos alto-falantes, no entanto, esse é apenas razoável: o som é claro, alto e, apesar dos graves não serem tudo isso, é o suficiente para um intermediário. O que me fez avaliá-lo assim foram os constantes engasgos no áudio. É como se o gerenciador não soubesse reproduzir um som do sistema e a música que toca ao fundo ao mesmo tempo.

Motorola One Vision Áudio

Quando isso ocorre, o Motorola One Vision engasga a música. E isso incomoda bem mais do que parece.

É importante ressaltar que o problema também ocorre na reprodução bluetooth, mas nesse caso, a solução foi desativar o áudio AAC de alta qualidade nas configurações do pareamento – aí os engasgos param.

Embora seja um problema chato, imagino que seja causado por software, então a Moto deve corrigir em breve. Para finalizar, vale ressaltar que o Motorola One Vision mantém a porta dedicada para fones de ouvido.

Uma salva de palmas, por favor.

Hardware e performance

Motorola One Vision - Hardware e Performance

Lembra que eu falei que o Motorola One Vision era bem diferente dos demais modelos da marca? Então, isso também se estende ao hardware, isto porque ele é o primeiro Motorola com um processador fabricado pela Samsung, o Exynos 9609.

Na prática, pouca coisa muda em relação aos modelos com chips Qualcomm equivalentes, mas quando vamos para a ficha de especificações, é possível ver que o processador da coreana se equipara ao Snapdragon 675 – sendo até um pouco melhor que ele no papel. O Exynos 9606 tem uma arquitetura de 10nm, oito núcleos de processamento e velocidade máxima de 2.2GHz.

“Apostar num chip Samsung em vez de um Qualcomm pode soar duvidoso, porém, quando comparamos a ficha de especificações, o processador da coreana é mais moderno que os Snapdragons 660 e 675.”

Somado ao sistema leve proporcionado pelo programa Android One, o Motorola One Vision acaba sendo bem ágil para as tarefas do dia a dia. Durante as três semanas que fiquei com o aparelho, não o vi engasgar em nenhum momento e todos os aplicativos que usei rodaram com fluidez.

Se você é do tipo que curte jogos, no entanto, é preciso relembrar que estamos falando de um intermediário: ou seja, ele vai executar sim até mesmo os games mais recentes do mercado, como o popular Free Fire e o Asphalt 9, mas fará isso sem a qualidade de gráficos que um topo de linha atinge.

No restante do conjunto, o One Vision traz tudo que é necessário para não deixá-lo atrás dos concorrentes, como 4GB de memória RAM, conexão USB-C, NFC, Rádio FM e aqueles sensores indispensáveis: proximidade, giroscópio, acelerômetro, bússola e o leitor de impressões digitais, que fica muito bem disfarçado na traseira do dispositivo com o logotipo da Motorola.

Sistema: Android One é garantia de software otimizado e atualizado

Motorola One Vision - Android One

A princípio, o Android normalmente utilizado pela Motorola é bastante parecido com o Android One – eles têm basicamente o mesmo visual e as mesmas funções. No entanto, as atualizações do programa Android One são gerenciadas pelo Google, o que garante que seu aparelho será atualizado mais rápido e por mais tempo com as futuras versões do Android.

“A Motorola não tem uma reputação ruim quando o assunto é atualização, mas estar acobertado pelo Google, que é quem desenvolve o Android, é sempre melhor.”

Apesar da mudança, as partes mais populares do sistema da Moto, como o software de câmera, o reconhecimento de gestos e o recurso Moto Tela, que mostra as notificações pendentes sempre que você pega o aparelho, continuam presentes.

Motorola One Vision - Sistema

De restante, vale lembrar que apesar de se tratar de um Android diferentão, o Android One segue o mesmo padrão do Android “comum”, inclusive com os mesmos recursos lançados com o Android Pie, como o tema noturno, o novo sistema multitarefas e as ferramentas de bem estar digital.

No que tange à estabilidade do sistema, é bem difícil perceber que o Motorola One Vision é um intermediário – ele executa todas as funções do sistema com maestria, alternando rapidamente entre apps e executando múltiplas funções sem nenhuma dificuldade.

Por fim, minha única crítica à interface do Android One é a mesma que fiz à interface da Motorola no passado: não há nada aqui de realmente empolgante. Enquanto os modelos da Samsung, LG, Xiaomi e outras apostam em recursos chamativos e telas bem coloridas, o sistema da Motorola e o Android One, que são bem parecidos, prezam por praticidade no lugar da beleza.

Gosta de fotos?

Motorola One Vision - Software de Câmera

Chegamos no principal ponto da análise e eu digo isso porque são as câmeras do Motorola One Vision que farão – ou que deveriam fazer, pelo menos – você optar por ele em vez do Moto G7 Plus, que é mais barato. Para se destacar em relação ao G7 Plus, o Motorola One Vision traz uma câmera principal de 48 megapixels com a tecnologia quad-pixel, que abaixo eu te explico como funciona.

Basicamente, o objetivo aqui não é tirar fotos com tanta resolução, mas usar cada quatro pixels do sensor ótico como se fosse um só. No fim das contas, a imagem sai com 12 megapixels e o pixel do sensor “quadruplica” de tamanho, captando muito mais luz e muito mais detalhes, principalmente em situações de baixa iluminação.

E isso não é exclusividade do Motorola One Vision: é basicamente assim que funcionam todos essas novas câmeras de 48 megapixels ou mais.

No uso cotidiano, é difícil perceber alguma diferença da câmera principal do One Vision pra do G7 Plus. Em boas condições de luz, ambas fotografam com muito detalhe e o elogio que fiz para a câmera do G7 Plus se mantém nessa aqui: o processamento de imagem parece preservar mais a nitidez da imagem do que o de outros intermediários, ou seja, a foto sai sem aquele aspecto borrado, comum em aparelhos nessa faixa de preço.

Apesar das semelhanças, basta navegar um pouco mais pelo app de câmera pra ver que o novo modelo tem dois recursos da moda: o modo noturno, que usa toda a capacidade do sensor para enxergar mais no escuro, e o modo retrato, que nesse smartphone aqui, além de borrar o fundo, pode simular vários efeitos de luz como se você estivesse num estúdio.

Sim, é igualzinho à iluminação de retrato que há no iPhone XS, só não tem a mesma qualidade – obviamente.

Apesar de ser um recurso divertido, eu creio que o grande diferencial seja mesmo o modo noturno (aqui chamado de Night Vision). Isto porque a diferença nas fotos com e sem o recurso é bem perceptível, embora as capturas neste modo naturalmente saiam um pouco borradas – não só neste, mas em todos os smartphones com a função.

Já na câmera frontal, a superioridade do novo modelo em relação ao G7 Plus fica mais clara: com 25 megapixels, as selfies do One Vision não costumam sair tremidas como as do irmão mais velho. Na análise dele, eu lembro de ter reclamado que isso acontecia mesmo quando eu segurava o smartphone o mais firme possível – aqui, no One Vision, isso não acontece mais.

Em ambientes bem iluminados ou a céu aberto, as fotos da câmera frontal têm uma qualidade surpreendente, notavelmente superior a de modelos como o Galaxy A7 (2019), que também apela para as câmeras. Nas capturas com pouca luz, o resultado é ainda melhor, já que consegui selfies noturnas com uma grande riqueza de detalhes, o que é raro até mesmo em dispositivos bem mais caros.

Para finalizar o bate-papo sobre as câmeras do One Vision, vale fazer algumas ressalvas: embora elas sejam realmente melhores que a de dispositivos na mesma faixa de preço, principalmente no que tange às fotos noturnas e ao nível de detalhe das imagens, eu ainda senti falta de um uso mais prático para o segundo sensor traseiro.

Assim como no G7 Plus, ele serve apenas como um sensor de profundidade, não podendo ser usado em nenhuma função que não seja o modo retrato. Por causa disso, ao menos no quesito versatilidade, as câmeras do Galaxy A7 (2018) fazem melhor, pois ele tem uma lente grande angular além da principal.

A bateria também é maior que a do Moto G7 Plus

Motorola One Vision - Bateria

Embora autonomia não seja o foco do One Vision, sua bateria com 3500 mAh é mais que suficiente para usuários moderados. Nos dias em que estive com o aparelho, sempre consegui chegar em casa com 15% ou mais de carga restante – no entanto, é preciso ressaltar que a maior parte do meu uso se deu em reprodução de música via bluetooth (que consome bastante energia) e fotos, que também consome muito.

Nas mãos de quem irá utilizar fones com fio e navegar nas redes sociais, imagino que a autonomia do Motorola One Vision se sairá melhor. Comigo, pelo menos, ele sempre conseguiu atingir uma média de 6 horas de tela por carga – sempre com o 4G ligado em boa parte do dia e o brilho da tela no automático.

Na hora de recarregar as energias, o carregador Turbo Power incluso na caixa não faz feio, porém, notei que a carga do One Vision não é tão rápida quanto a do G7 Plus – talvez pelo fato da bateria do One Vision ser um pouco maior ou porque o cabo do G7 Plus tem as duas pontas em USB-C, o que privilegia a passagem de energia.

Ainda assim, a carga é bem rápida.

Vale a pena comprar o Motorola One Vision?

Motorola One Vision - Final

No fim das contas, o Motorola One Vision é um dispositivo curioso. Não porque ele é diferentão demais, mas porque ele canibaliza, em mais de um aspecto, o Moto G7 Plus. Nele, os fãs da Motorola tem uma bateria melhor, uma experiência Android mais polida, câmeras melhores, processador melhor, mais memória interna e um design realmente novo, em comparação com o irmão mais velho.

Tudo isso sai por um preço acima do que é cobrado pelo G7 Plus, é claro, mas ainda assim, não é muito acima – enquanto o G7 Plus pode ser encontrado por R$ 1.300 à vista no varejo, o One Vision sai por R$ 1.600 em algumas promoções.

Quando analisamos o Moto G7 Plus, dissemos que ele era tudo o que os fãs da marca pediram, pois ele tinha câmeras realmente boas, um visual bastante agradável e não era caro. Com o Motorola One Vision, isso fica ainda mais evidente, pois ele corrige todas os pontos onde o G7 Plus não era tão bom, como a câmera frontal, por exemplo.

Por isso, se você está na dúvida entre os dois dispositivos, é importante que você se pergunte qual importância você dá para fotos, pois é aqui que mora a principal distinção entre os modelos. Caso você seja um fotógrafo casual e queira um ótimo custo benefício, o G7 Plus ainda deve te agradar.

Motorola One Vision - Conclusão

Contudo, se você quer boas fotos noturnas e, principalmente, ótimas selfies, os R$ 300 a mais a serem investidos One Vision certamente valerão a pena, pois o aparelho realmente se destaca nesse aspecto e ainda traz um processador superior, além do dobro de armazenamento interno.