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Por dentro do Volkswagen Polo Beats: sinta o som da batida

Nova Post testou o Polo Beats da Volkswagen, modelo 2019. Na análise, contamos se essa parceria vale o investimento extra no carro.

A Volkswagen anunciou no ano passado que o Polo e o Virtus teriam uma edição dedicada ao áudio premium em uma parceria com a Beats, subsidiária da Apple. Desde então, além destes carros, o recém-lançado T-Cross é um dos autos que conta com uma edição focada nas batidas graves e alta qualidade de áudio da Beats.

Por uma semana, o Nova Post testou o Volkswagen Polo Beats para ouvir “por dentro” os quatro alto-falantes, dois tweeters e um subwoofer. Confira as nossas impressões abaixo.

Volkswagen Polo Beats: pronto para ouvir

Recentemente analisei o headphone Beats Studio3 Wireless e a minha surpresa foi ter a mesma sensação dentro do Volkswagen Polo Beats. Com os vidros fechados e o volume pela metade da potência, a música preenche todo o carro: o som é claro, as batidas são precisas e é possível ouvir tudo o que um serviço de streaming de música, como o Apple Music, te permite ouvir.

Com um sistema de som com 300 watts e amplificador digital de 8 canais, o som se espalha pelos quatro alto-falantes, dois tweeters e um subwoofer escondido no porta-malas do carro. Inclusive, é lá de trás que a assinatura Beats se faz presente.

Para quem quer testar o volume no máximo vai se surpreender que o som não distorce – mesmo. Tem um “porém”: as configurações de “agudo”, “médio” e “grave” precisam estar no zero. Se você gosta de customizar a sua experiência de som, precisará ouvir em um volume mais humano para não ter distorções.

Agora, mesmo com um volume menos ensurdecedor, lá pelos 60%-70% da potência máxima, algumas músicas, como a balada “I Don’t Know”, do Paul McCartney, causavam uma distorção por tremida no carro. Explico: como o porta-treco das laterais das portas dianteiras são feitas de plástico, quando o baixo é mais presente na música, ele fazia essa parte tremer, o que na primeira ouvida parece que o som está distorcido, mas na verdade é “só” o carro sentindo a música – isso não deveria acontecer, claro.

Como referência, também pude passar alguns dias com o T-Cross e não percebi essa tremedeira toda. No caso da SUVW, ela também isola melhor o som, ou seja, mesmo com um volume altíssimo, era mínimo o vazamento, enquanto no Polo Beats, se você não maneirar no som, todo mundo vai saber que você ainda ouve Jesse McCartney e ABBA.

Por fim, ainda nas configurações de áudio, a própria Volks poderia implementar algo mais dedicado aos audiófilos, desde presets a mais detalhes do que “Agudo”, “Médio” e “Grave”.

Beats também se faz presente no design do Polo

Tanto a versão Comfortline quanto a Highline do Polo trazem o logotipo Beats, caso você escolha esse upgrade, nos paralamas dianteiros. Os espelhos retrovisores são pintados em Vermelho Tornado, independente da cor da carroceria; o modelo que eu testei era branco, por exemplo.

Internamente, o painel também traz a mesma tonalidade e a costura dos bancos e o acabamento dos tapetes dianteiros também contam com detalhes no Vermelho Tornado. O “B” de Beats também aparece na coluna “A”, aquela póxima ao para-brisa, bem em cima dos tweeters.

É um visual bem esportivo para o compacto. Não seria a minha escolha número 1 de cor. Por dentro, o Vermelho Tornado é bem bonito, mas essa diferenciação da carroceria com o retrovisor não faz o meu estilo. O T-Cross resolve isso ao colocar um “B”zão próximo às portas e só.

Experiência tecnológica e CarPlay

Por R$ 4.290 extras, o consumidor pode optar pelo kit “Tech High” que traz o Comando de Voz, Câmera Traseira, sensor de chuva, sistema de navegação, o sistema Discovery Media, entre outros.

O meu foco nesta seção é o Discovery Media de 8 polegadas. É nele que você interage com a parte smart do seu carro via bluetooth, AndroidAuto ou CarPlay, que foi a minha escolha. Para conectar o seu smartphone nos sistemas Google ou Apple, precisa ser por cabo.

No caso do CarPlay, uma vez que você conecta o iPhone, uma tela deitada com até oito aplicativos por página aparece. Ao mesmo tempo, no seu celular, caso ele esteja com a tela ligada, ele vai espelhar os seus comandos do carro. Você não pode estar no Waze no Discovery Media e querer escolher manualmente uma música pelo Apple Music no iPhone sem mudar de tela.

Para isso, o usuário tem a opção de ativar a Siri. O problema dela é que se você ouve músicas em outro idioma, a Siri brasileira não vai entender os seus comandos para troca de músicas ou álbuns. Por outro lado, se você deixar a Siri americana, você não vai conseguir pedir para a assistente pessoal ler ou mandar mensagens.

Ainda assim, na atual versão do CarPlay (par com o iOS 12), as interações por voz são muito lentas. Suponha que “A” te mandou uma mensagem. Você pede para a Siri ler. Espera um pouco. Lê. Deseja responder? Sim. O que deseja responder? XXXX. Ok, você deseja mandar XXXX? Sim. Ok, mandei.

Percebe o quanto demorou essa interação? Se você estiver acompanhando o Waze ou o Google Maps, é provável que acabe perdendo uma entrada por isso.

Manualmente, também senti um lag no Polo Beats que não percebi no T-Cross na hora de mudar do Música para o Waze – e especificamente nessa interação. O sistema me pareceu travar um pouco mais. Perguntei para a assessoria da Volkswagen se os carros têm processadores diferentes no Discovery Media e quais seriam eles, mas ainda não obtive resposta.

De maneira geral, o touch é até que bem responsivo, mas quando você está dirigindo e pula uma notificação de radar do Waze, é provável que você toque no “Não existe” em vez de no “Obrigado”. Na terceira ou quarta vez que você toca errado na tela, porque o Waze não deveria te fazer interagir com o display ao dirigir, você só pensa “cara, tá tudo errado”.

Ainda há um longo passo para ser percorrido com o CarPlay, que deve melhorar nos próximos meses com a nova versão dos sistemas operacionais da Apple, mas também ainda há muito o que os aplicativos precisam desenvolver para funcionarem da maneira adequada no carro.

Preços e outros comentários

Esta não é uma análise convencional de carro, até porque a proposta era testar o som do Novo Polo Beats, da Volkswagen. Custando a partir de R$ 71.560 na versão Comfortline, o modelo que eu testei, o Highline 200 TSI, chega a R$ 83.499 com todos os optativos.

Na versão Comfortline, o pacote Beats Sound custa R$ 3.020, já na Highline, R$ 2.400. Pela qualidade dos alto-falantes, tweeters e subwoofer, independente do que você pense do valor do carro, o preço do conjunto está adequado, pensando que um sistema com essa mesma qualidade, para ser instalado fora da concessionária – e que pode afetar a garantia do seu carro – chega a custar mais caro.

No uso do carro, de maneira geral, foi uma boa experiência. Na cidade, fiz uma média de 12 km/L. Outras considerações:

  • Compacto, duas pessoas sentam bem na frente, mas as de trás sofrem, mesmo com os bancos dianteiros na metade da regulagem;
  • Diferente do T-Cross, você sente a troca de marcha, principalmente ao tirar o pé do acelerador;
  • Sistema Kessy: é só deixar a chave no bolso. Você liga o carro no botão e abre a porta, mesmo com o carro fechado, se a chave estiver próxima;
  • Há versões com sensores traseiro e dianteiro, além do sensor de ré com câmera, além do Park Assist. Uma benção para os sem-noção de espaço.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é editor de internet do Jornal da Globo e escreve sobre tecnologia e games.