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Apple Music: vale a pena assinar?

Quatro anos desde o seu lançamento, o Apple Music conta com mais de 60 milhões de assinantes e aposta na curadoria humana e Radio Beats 1 como diferenciais à competição.

O serviço de streaming de música da Apple, o Apple Music, existe desde o iOS 8.4, ou melhor, desde 30 de junho de 2015. Com mais de 60 milhões de assinantes, o serviço já passou por diversos redesigns e chega ao iOS 13 com um novo modo escuro e acompanhamento em tempo real das letras das músicas.

Com mais de 50 milhões de canções no seu catálogo, o Apple Music junta as suas músicas preferidas, sugestões personalizadas, curadoria humana e de grandes artistas, conteúdos audiovisuais e todo apelo da Beats com a Radio Beats 1.

São quatro seções principais mais a barra de pesquisa, que te permite buscar por música, artista, álbum, playlist, pessoa e até trechos de música. Você já testou o Apple Music e desistiu? Nunca experimentou o serviço de streaming? Tire as suas dúvidas abaixo com esse pulo dentro do Music, que funciona no iOS, iPadOS, watchOS, macOS – ajudou a matar o iTunes – e também em smartphones Android.

Biblioteca: o centro das suas músicas

Aqui não tem nenhum segredo. A seção “Biblioteca” é separada por “Playlists”, “Artistas”, “Álbuns”, “Músicas” e “Músicas Baixadas”. Também é possível selecionar as canções pelas abas “Videoclipes”, “Gêneros”, “Coletânas” e “Compositores”. É só tocar no botão superior direito “Editar” e escolher quais opções você quer que apareçam sempre.

Ao tocar em “Músicas Baixadas”, o Apple Music repete as opções “Playlists”, “Artistas”, “Álbuns” e “Músicas”. Esta nova seção traz, como diz o nome, apenas as suas músicas baixadas. Ou seja, uma playlist ou álbum podem ter 15 músicas ao todo, mas para você vão aparecer apenas 7, que são as baixadas.

Essa diferenciação é importante para que você possa separar “TODAS as músicas” daquelas que você realmente costuma ouvir – ou gosta de ter sempre por perto, mesmo sem internet.

Nas playlists, você pode ter tanto as listas criadas por você, amigos, sugeridas pelo Apple Music ou automáticas. A primeira opção nessa aba é de criar uma “Nova Playlist”, que além de adicionar as músicas, você pode colocar um nome, descrição, capa e até se deseja que ela seja pública para todos (essa última parte eu explico mais para frente). A ordem das listas é alfabética, mas o grau de aparecer primeiro é de listas de terceiros (amigos ou Apple Music), automáticas do iTunes (Adicionadas Recentemente, 25 Mais Tocadas…) e as playlists criadas por você.

Uma coisa interessante é que você pode ter músicas nas playlists, mas que não necessariamente estão na sua biblioteca de canções, uma maneira da Apple de estimular que você tenha várias listas diferentes, mas que não necessariamente impactam no seu acervo principal.

Para Você: é disso o que você gosta? Então toma isso e mais um pouco

A partir daqui começa a curadoria da Apple. A seção “Para Você” já mostra logo em cima a data, que é um lembrete que essa página está em constante atualização – e basicamente – por e para você.

Quanto mais você ouve e interage com o Apple Music, mais completa fica essa seção. Há um mix atualizado regularmente com as suas músicas favoritas, as que os seus amigos estão ouvindo, as descobertas que têm a ver com você e até outras listas de humor. Cada uma delas também diz quando foi atualizada.

Abaixo, há as “Reproduzidas recentemente”: as suas playlists e álbuns recém-ouvidos. Se os seus amigos tiverem escutado o que você ouviu, o rosto deles aparecerá junto da capa do álbum/lista.

Não é à toa que a aba abaixo é “Seus amigos estão ouvindo”, onde você descobre o que os seus amigos do Apple Music estão escutando no fone. Essa é uma maneira da Apple de dar pequenos passos para as interações entre pessoas. Algo como “que tal ouvir isso aqui também?”

Em seguida, começam as sugestões personalizadas por gênero, cantor, playlists relacionadas que foram recém-atualizadas, listas temáticas por dia e estilo, etc. Também, agora, aparecem “Recomendações de amizade”, que misturam os seus contatos que estão no Apple Music e pessoas que te seguem.

Por fim, tem os “Novos Lançamentos”, que vale checar de vez em quando. O Apple Music entende o que você ouve, afinal, ele te mostra cantores que você tem adicionado e também outros artistas que você provavelmente pode gostar e que estão com material novo no mercado.

Rádio: entrevistas, estações e programas

Confesso que ao escrever essa matéria, me propus a entrar em uma seção que em quatro anos assinando o serviço, nunca fiz questão de abrir: a rádio. E não é só porque não tenho o costume de ouvir programas de rádio, mas também pelo fato de gostar muito das minhas próprias músicas e a aba “Para Você” trazer qualquer outra coisa extra que eu venha a gostar.

A verdade é que é essa última seção a mais rica de todas. É aqui que, além de ouvir a Beats 1 e seus programas em uma grade 24 horas, há diversos conteúdos audiovisuais. Nas entrevistas, basicamente você pode ver grandes artistas falando dos sucessos do momento. Qual a chance de ver Elton John, Giles Martin (filho do grande produtor dos Beatles, George Martin) e Taron Egerton (ator que interpreta Elton em Rocketman), discutindo o filme e a trilha?

Quer saber o que a Taylor Swift tem para falar sobre Lover? Há uma entrevista por FaceTime. Lil Nas X, por exemplo, fala sobre o hit “Old Town Road” e por aí vai.

Por também ser um serviço on demand, você pode voltar atrás e ouvir programas, como o dos Jonas Brothers falando do seu álbum recém-lançado “Happiness Begins”. É claro, esse universo da Radio Beats 1 é completamente em inglês – e se você não se interessa pelos ingleses, norte-americanos, australianos ou outros falantes da língua inglesa, de fato essa seção não vai ser um diferencial.

O que me chama atenção é que essa seção é como um mergulho dentro da “cena da música cool” dos ingleses e norte-americanos. Cada programa tem a sua playlist, vídeos em destaques, matérias especiais, quadros e curadoria do apresentador ou algo do tipo.

Quer saber o que as gerações Millennial e Z estão produzindo no Reino Unido? O produtor Matt Wilkinson, além do seu programa, tem playlists focadas na nova cena britânica. Em poucos cliques, a quantidade de bandas e cantores que encontrei que estão para lançar o seu primeiro álbum no serviço, é absurda.

O que quero dizer com toda essa seção é: se você quer ir além das músicas do seu dia a dia, e entende inglês, aprofunde-se no sistema. Ao mesmo tempo, do lado da Apple, que a empresa expanda a Rádio para outros países, como o Brasil, e comece a trazer esses conteúdos regionalmente – porque há muito para ser visto e ouvido.

Player: mantendo-se simples

Uma coisa muito importante para se falar também é o player do Apple Music, que já sofreu diversas mudanças ao longo dos anos. No iOS/iPadOS 13, ele ficou mais minimalista.

Ao reproduzir uma música, além dos botões padrões, você tem outros quatro para prestar atenção. Na parte central, à direita, os três pontos servem para você copiar o link da música, ver o álbum, adicionar a canção à biblioteca ou playlist, ver a letra, criar estação ou dizer para o Apple Music se essa é ou não uma música que você gosta (importante usar essa função de tempos em tempos).

No canto inferior, você pode acompanhar a letra da música em tempo real – o fundo dessa aba fica parecida com a capa do álbum -, a função do AirPlay para reproduzir a música no HomePod, uma caixa de som ou trocar os fones bluetooth e ao lado o “A Seguir”, com as opções de “Aleatório” e “Repetir”. No iOS 12, no entanto, essas opções, junto com a letra, ficavam na parte de baixo. Isso te faz dar um toque extra. Não quer dizer que é ruim, só diferente.

Perfil e compartilhamento

É aqui que a competição, o Spotify, se sai tão bem. A Apple já teve diversas tentativas de engajar uma comunidade de música e a verdade é: como que ainda não conseguiu? No Apple Music, a empresa de Cupertino já tentou engajar com a aba “Conectar”, que os artistas podiam postar fotos e vídeos e os fãs podiam curtir e comentar. Não deu certo.

Para acessar o seu perfil do Apple Music, você tem que ir na seção “Para Você” e tocar no seu rosto no canto superior direito. Na “Conta”, toque em “Ver Perfil”. Escondido, né?

No seu perfil, você pode alterar o nome, @, foto, quem pode seguir a sua atividade, quais playlists você quer compartilhar com todo mundo e se você quer que os outros vejam o que você está ouvindo. Ah, também tem uma opção de “Apagar perfil”.

Fora isso, a sua conta mostra as suas playlists, o que você tá ouvindo, quem te segue e quem você segue. Por essa aba, você pode tocar no perfil das pessoas e saber as mesmas coisas: quais as playlists delas, o que elas estão ouvindo e quem seguem. Caso a lista de um colega te interesse, você pode adicioná-la, mas uma notificação vai pipocar na tela dele dizendo que você fez isso.

De uma certa maneira, o “Perfil” tem tudo o que você precisa, mas ele não é uma parte fundamental no seu processo de ouvir música para a Apple. Enquanto no Spotify a graça é ver o que os outros ouvem, compartilhar músicas e fazer listas colaborativas, o Apple Music parece apenas só. É uma experiência sua que poucas pessoas fazem parte e é sempre muito difícil descobrir quem também está no serviço de streaming. São mais de 60 milhões de assinantes, mas a sensação é que você está numa festa vazia.

Configurações do Music

Em “Ajustes” e “Música” você tem algumas opções, caso você assine o Apple Music. Você pode combinar canções que você comprou na iTunes ou que simplesmente tem baixado no computador ou deixar apenas o Music ativo. É aqui que você vê quanto do armazenamento suas músicas ocupam, se você quer otimizá-lo e se quer que uma vez que você adiciona uma música no iPhone, ela seja transferida diretamente para o seu iPad.

Em relação à reprodução, você pode ativar ou não o “Equalizador”, o “Limite de Volume” e “Verificação de Som”. O Apple Music pede para usar o seu histórico para te sugerir melhores recomendações. Com isso, a empresa de Cupertino usa os seus dados, através da Privacidade Diferenciada, para sugerir as melhores músicas para o seu perfil.

Ao criar a sua conta no Music, ele te sugere estilos para você dizer quais são seus preferidos e em seguida, quais artistas desses estilos te agradam mais. Como disse durante o texto, quanto mais dicas você der para o serviço de streaming do que você gosta, mais sugestões com o seu perfil aparecerão.

Disponibilidade e preços

O Apple Music está disponível em uma infinidade de lugares – mas não em todos que você realmente quer. Por exemplo: ele está no iPhone, no iPod Touch, no iPad, no Mac, no Apple Watch, no celular Android, no HomePod e até no Amazon Echo (você pedir para a Alexa tocar suas músicas do Apple Music).

Você também pode acessar o serviço pelo iTunes, tanto em Macs quanto PCs, mas um jeito que você não pode acessar o seu Apple Music é pela web – e esse é outro ponto negativo muito forte para várias pessoas, já que o Spotify permite isso. Quando será que isso vai mudar?

O Apple Music também tem um uso facilitado entre dispositivos Apple. O HomePod, por exemplo, tem total integração apenas com o serviço da Apple. Até pouco tempo, o Apple Music também era soberano no relógio inteligente da Maçã. Você pode criar “atalhos” para a Siri, mas, do jeito dela, é só no Apple Music que a assistente pessoal entende o que você quer.

O Apple Music custa R$ 16,90 por mês para contas individuais; R$ 24,90 no plano familiar de até 6 pessoas e R$ 8,50 para estudantes universitários. O serviço de streaming não conta com uma versão gratuita com anúncio, mas o período de testes, dependendo da Apple, pode ser de 1 mês, 3 meses ou até 6 meses.

O plano familiar, além de permitir que até seis dispositivos ouçam música ao mesmo tempo, traz uma conta pessoal para cada familiar, permite compartilhar ou não as músicas e playlists entre si e também as compras do iTunes.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é editor de internet do Jornal da Globo e escreve sobre tecnologia e games.