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Análise: Samsung Galaxy A80 com câmera giratória

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Diferentão, o Samsung Galaxy A80 tem tela gigante, carregamento ultrarrápido e câmera que vai e vem. Confira o nosso review.

Em abril, a Samsung apresentou a nova linha de Galaxy A, mas foi apenas em julho que a empresa sul-coreana começou a vender de fato o modelo mais caro, que é o Galaxy A80. O mais premium da linha A, o Galaxy A80 aposta, na maior parte do tempo, na máxima de que mais é sempre mais.

Por quase um mês, usei o Samsung Galaxy A80 e te conto os pontos fortes e fracos dele. Confira a análise abaixo.

Impressões gerais

Para falar do A80, é preciso entender o que a Samsung está fazendo com a linha Galaxy A. Desde o A7 com câmera tripla que a empresa sul-coreana tem trazido novidades primeiro para a linha intermediária para depois implementar – ou não – nas linhas super premium S e Note.

No caso desse modelo em específico, a Samsung elimina as bordas na parte frontal do aparelho. Com um aproveitamento que beira os 100% de tela, o display de 6,7 polegadas Super AMOLED é um verdadeiro cinema com cores chamativas e preto profundo.

Feito em alumínio e com acabamento em metal, o aparelho chama atenção também pela falta da câmera de selfie. A grande emoção de usar esse celular foi a reação das pessoas ao verem a câmera giratória entrar em ação, saindo da parte de trás e indo para a frente do aparelho.

Disponível em preto e rosa, é a segunda cor que é o verdadeiro destaque do A80. Com essas novidades tão gritantes, também há algumas escolhas ousadas – ou de “coragem” – que podem parecer uma boa ideia, mas necessariamente não são.

A primeira é o leitor de impressão digital embutido na tela, até então exclusivo dos smartphones mais caros da Samsung. O problema é que o Galaxy A80 tem um leitor óptico e não ultrassônico como o Galaxy S10. Assim, além de demorar quase três segundos para autenticar o seu dedo, você precisa contar com a sorte de tê-lo colocado no local correto.

Outras mudanças mais sutis estão na falta da entrada P2 para fone de ouvido e o fim do cartão microSD para armazenamento extra. A bandeja é apenas para dois chips – parece que alguém vai ter que excluir alguns comerciais alfinetando uma certa empresa de Cupertino.

O Galaxy A80 aposta em uma única saída aberta de áudio na parte inferior e caso você vá fazer uma ligação, o alto-falante superior está embutido na tela – então é melhor tomar cuidado com conversas particulares, que acabam vazando pelo display que vibra com o som.

Ou seja, você ganha um dos displays mais bonitos dos smartphones intermediários e um mecanismo diferentão de câmera, mas vale a troca?

Não julgue pela capa, mas pelo hardware

O Galaxy A80 impressiona mais nas especificações de hardware. Com 8GB de RAM e 128GB de armazenamento interno, só com essas informações, certamente estaríamos falando de um smartphone super premium. O processador é o Snapdragon 730, que lida muito bem com a maioria dos aplicativos e jogos, mas não com Fortnite. Dá para brincar de PUBG, Asphalt 9 e Pokémon GO, mas o battle royale mais famoso do mundo é um certo sacrifício.

De maneira geral, é possível alternar entre aplicativos sem problema e o smartphone deve envelhecer bem com essas especificações. Os 128GB de armazenamento interno, na minha opinião, se desculpam pela falta do cartão microSD e são mais que o suficiente para a maioria dos consumidores.

Em relação ao software, o Galaxy A80 vem de fábrica com o Android 9.0 Pie e a OneUI, a camada de experiência Samsung que também está nas linhas S e Note. Esse aparelho também vem com a Bixby Home, uma central inteligente que mostra os seus próximos compromissos, músicas e te dá sugestões de aplicativos, notícias e vídeos.

Algo que ainda me incomoda nos aparelhos da Samsung é a duplicidade de apps. Você tem o Browser da empresa e o Chrome, tem a nuvem da Samsung e o Google Drive. Tem a Galeria e o Google Fotos. Sabe? Para onde você quer que eu mande os meus dados? Por que eu preciso dizer para cada aplicação se eu vou usar o do Google ou o da Samsung? É confuso.

Mas vamos para a parte que todo mundo quer saber: e a câmera?

Câmera que gira

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Eu já disse o quão bacana é girar a câmera para lá e para cá, mas o melhor é fazer fotos, não é mesmo? Apesar de ser anunciado como um smartphone de câmera tripla, a verdade é que o celular tem duas lentes e um sensor ToF, que consegue entender a distância entre objetos, relevo, etc.

Com a lente principal de 48MP, a verdade é que as fotos saem com 12MP. Toda a potência de 3/4 que ficam “perdidas” ajudam – ou deveriam ajudar – o sensor a capturar mais luz e detalhes, principalmente em situações de baixa luminosidade. O Fernando explica aqui na análise dele do Motorola One Vision isso. A segunda lente do celular é uma ultra-wide de 8MP.

No mundo real, o Galaxy A80, assim como a grande maioria dos intermediários – mais ou menos premium – começa a sofrer quando falta um pouco de luz. Se pensar que a Samsung também tem um histórico de lavar a cara das pessoas nas fotos, é “normal” o que deveria ser detalhe ficar borradinho.

Com uma boa luz e o smartphone bem posicionado, é possível fazer boas fotos e um bom uso do HDR. Para mim, o grande destaque dessa nova leva de celulares é a câmera ultra-wide. Fazer fotos de várias pessoas, de um prédio ou de um quadro grande sem muito esforço é uma das experiências mais satisfatórias e que está presente no Galaxy A80. É claro, com menos MPs, a lente ultra-wide precisa de mais luz para resultados melhores. Abaixo, você confere alguns cliques:

Outro comentário que preciso fazer é: considerado o celular da “era das lives” pela Samsung, seria importante que a empresa trabalhasse com o Instagram para dar aquela otimizada nos Stories. Além de você ouvir o barulhinho do motor ao trocar o lado da câmera num story, a qualidade do vídeo só fica bom mesmo se tiver muita luz. E, desculpa, ninguém vai gravar o vídeo antes e depois colocar no Instagram. Ou é “live” ou não é.

Bateria

A bateria do Galaxy A80 é de 3.700 mAh. Pouco não é, mas o modelo A70, que é mais leve e tecnicamente um pouco mais simples, tem 4.500 mAh. Num dia de uso normal (um pouco de vídeo, jogos e muita rede social) dá pra ter a sua rotina sem se preocupar em ficar sem bateria, mas se você pretende dar uma saída à noite, não esqueça de levar o carregador.

Um ponto bacana do aparelho – e que envolve aquela coisa de trazer novidades primeiro na linha A – é o carregamento ultrarrápido de 25W. É possível levar o A80 de 0 a 100% em menos de 1h30. Qualquer tempo que o celular passa na tomada, é o suficiente para mais algumas horas de autonomia. O cabo dele, felizmente, é USB-C

Galaxy A80: Convence ou não convence?

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Lançado por R$ 3.499 – e o preço nesse momento é muito importante -, o Galaxy A80 passa do atual valor do Galaxy S10 no varejo. É claro, já é possível encontrar o A80 próximo dos R$ 2.700 com menos de um mês da sua chegada ao mercado, mas ainda assim isso significa um Galaxy S9.

Por esse valor, fica muito feio para este aparelho não ter carregamento wireless, algo que linhas intermediárias não têm mesmo, e nem alguma resistência à água ou poeira, como IP67 ou IP68. A grande inovação da Samsung, nesse momento, seria trazer essas funções já tão conhecidas das linhas super premiums para um aparelho que custa tanto quanto uma linha S.

Apostar num leitor de impressão digital embutido, apesar de descolado, sacrifica a praticidade que já deveria ser em 2019 de desbloquear o celular. É igual colocar um leitor de impressão digital que desbloqueia com uma foto, não faz sentido – mas, calma, eles não fizeram isso.

O A80 é divertido de usar, tem uma tela que impressiona, bastante armazenamento interno, a câmera é interessante de empurrar para lá e para cá, mas se você está disposto a investir todo esse dinheiro, você pode pegar uma linha S ou um aparelho de câmera tripla ou quádrupla por um valor bem mais em conta, manter a entrada de fone de ouvido e gastar mais um pouquinho com um cartão microSD – se necessário.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é editor de internet do Jornal da Globo e escreve sobre tecnologia e games.