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Entrevista: Renato Citrini faz balanço dos lançamentos de celular da Samsung em 2019

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Gerente de produtos sênior da Samsung Brasil, Renato Citrini falou ao Nova Post sobre os lançamentos de smartphone da marca em 2019 e o que vem pela frente.

Mais um ano se aproxima do fim e a Samsung preencheu todo o período com dezenas de lançamentos. Da nova linha M para a maior família do mercado, a A, a empresa sul-coreana celebrou os dez anos da linha S, o lançamento do primeiro dispositivo dobrável comercializado e dois novos tamanhos de Note.

Na última segunda-feira (21), conversei com Renato Citrini, gerente de produtos de mobile da Samsung Brasil sobre os mais diversos temas envolvendo os smartphones da companhia sul-coreana. A entrevista completa você confere abaixo.

Nova Post: Preciso começar perguntando sobre o erro presente no leitor de impressões digitais dos Galaxy S10 e Note10, que desbloqueiam com qualquer dedo, desde que a pessoa use uma película não-padrão. O que aconteceu? Esse erro existe desde quando? Quando a Samsung vai trazer uma atualização?

Renato Citrini: A gente soube na semana passada do ocorrido. Uma película especifica, super diferente, maleável, macia, que tem esse problema e que acabava gerando o reconhecimento, mas em casos específicos.

Nós entendemos qual era a vulnerabilidade e estamos trabalhando para liberar a atualização de segurança. Não tem problema nenhum pra quem não tem essa película.

A recomendação é tirar essa película e quando tiver a atualização, dá para voltar a usar. A gente também indica a película da Samsung, que é fina. Uma película mais grossa, o dedo fica mais longe do leitor e o leitor não reconhece direito. Nós prontamente reconhecemos o erro e a atualização vai ser liberada.

Nova Post: Ainda sobre este assunto, muito se fala da segurança dos Pays, mas quando acontece algo assim, na tecnologia que deveria ser mais segura do que um código, a Samsung não acha melhor desabilitar a função temporariamente?

Renato Citrini: É um caso critico e está sendo tratado com essa importância. Como é muito especifico, como está super restrito, a gente recomenda tirar a película e usar sem ela. Pode ser para o Pay, para acessar outros conteúdos do celular. Ele tem a sua vida, tem os seus meios de pagamento, por isso a gente trata com extrema agilidade e seriedade esses casos.

Nova Post: Vamos desdobrar outros assuntos? Galaxy Fold. Tem previsão de chegar ao país? O Brasil está preparado para este tipo de produto?

Renato Citrini: Primeiro vale falar que o Galaxy Fold teve que passar por algumas alterações antes do lançamento. Ele já está disponível em alguns mercados. Por enquanto não tem previsão de chegar ao Brasil. O país tem uma grande extensão territorial, uma população grande, com diferentes poderes aquisitivos. Tem espaço pra todas as faixas de preço.

Nova Post: 2019 também foi um ano importante para a Samsung com a primeira década da linha S completada. Como você enxerga esse passar de anos até o S10, com três modelos, e praticamente faltando alguns meses para um possível novo lançamento?

Renato Citrini: É interessante comparar esses 10 anos. Evoluiu o tamanho do smartphone, tamanho e qualidade da tela, capacidade de memória e de processamento. Se alguém há dez anos dissesse o que a gente tem hoje, diria que é loucura. É uma evolução. O armazenamento era de 8GB e hoje a memória base de um S10 é de 128GB. Não só o smartphone, mas o consumidor de tecnologia passou a demandar isso. Todos os serviços em volta contribuem com isso, mais capacidade de processamento, as soluções vêm melhores. Esse mundo é encantador. Hoje as pessoas estão sempre com os smartphones e usam em todos os lugares.

Não da para falar muito sobre o futuro, mas pode acreditar que ainda tem muita inovação, tecnologia e os nossos modelos S e Note são os que trazem as melhores performances, não só em tamanho, mas em velocidade, recursos. A gente começa a trabalhar um mundo novo que possibilita ter essas soluções que cabem no bolso.

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Nova Post: Nós já falamos de S10 em uma entrevista passada, mas do Note10, que pela primeira vez traz dois tamanhos, não. Como tá sendo a resposta de vendas do produto? Ainda há espaço para essa linha profissional entre um smartphone superpremium e outro que dobra?

Renato Citrini: As características mais marcantes do Note sempre foram a caneta e a tela. Nos nove anos de Note, a tela que era gigante, era de 5,3 polegadas. Hoje, a gente bate em 6,8 polegadas. Uma das características que o usuário de Note ama é a tela. Outra parcela achava grande demais, por isso que o S sempre tinha duas opções. Por que não fazer isso no Note? A gente sabe que usuário do Note presa por uma tela grande, mas será que 6,3 polegadas não é grande o suficiente? A gente pega o usuário que ainda não é usuário do Note, mas tá paquerando o Note, que achou o Note grande até o Note9. Traz um corpo menor com mais tela, que é isso que atende o gosto do usuário, quanto mais tela você entrega, melhor. Você amplia essa segmentação.

A questão é: quem é esse público-alvo? É o profissional, é o engenheiro? Nesses dez anos, o que realmente mudou no público-alvo é que a maneira de trabalhar mudou. Não é só um engenheiro, só um desenhista, cada vez mais as pessoas têm múltiplas funções, mistura de vida profissional com pessoal. O Note atinge muito mais esse aspecto atual de comportamento. O que a gente busca é o cara que quer realmente tirar todo o potencial de um smartphone para ajudá-lo no dia a dia.

O usuário da linha S é um pouco diferente, que gosta muito mais de compartilhar coisas na rede social. Você vai espremendo e olhando especificações, realmente o S e o Note ficam parecidos, mas na essência, como ele é desenhado e pensado, é diferente.

Nova Post: Samsung também fez grandes movimentações neste ano: matou a linha J, que representava uma fatia gigante do mercado brasileiro e, desde então, introduziu algumas dezenas de celulares. Como está indo essa estratégia?

Renato Citrini: O que a gente fez olhando o Brasil: a linha J era uma linha de extremo sucesso. A gente fez uma mudança para trazer o usuário para uma linha mais intermediária. Era uma evolução linear: o J era do básico até o intermediário, o A era do intermediário para o premium e depois tinham as linhas S e Note.

A linha J era fragmentada em design e nome. Eram muitos nomes e não ficava claro só pela nomenclatura qual era melhor para o consumidor. A gente deu uma acertada em termos de nomenclatura ao esticar a linha A do A10 mais básico até o A80.

A gente acaba de trazer o A30s, uma pequena evolução em cima do que já existia. Trazemos um portfólio mais fácil de entender e que segue uma linha de design, vai evoluindo em termos de desenho, materiais, acabamento, tem uma evolução clara do A10 ao A80, que é o A mais alto.

Nova Post: A palavra que eu quero dizer é inconsistência, mas ficou mais difícil cravar para o consumidor “escolha a linha A” ou “escolha a linha M”; porque a linha A ficou muito grande e a M pode ser melhor em alguns aspectos. Como fica?

Renato Citrini: Como a gente fez: quando tinha a linha J, eram linhas lineares, tinha o J, o A, o S e o Note. A mudança que a gente faz é que evoluiu a linha J pra linha A e fica com uma linha A maior.

Em paralelo a gente traz a M. A linha M é para mercados que você tem uma grande quantidade de pessoas, um mercado online desenvolvido. Você traz uma linha que é dedicada para o online.

Esse consumidor está de olho nas especificações, enquanto o consumidor offline gosta de pegar na mão. Uma estratégia nossa é restringir a linha M para compras apenas na internet.

Nova Post: Durante 2019, um dos testes que fizemos para o Nova Post foi o do Galaxy A80. É um smartphone com potencial, mas ele conta com um leitor de impressão digital embutido consideravelmente mais lento que o do S10, ao mesmo tempo, o corpo de plástico e falta de resistência à água não condizem com o preço. Diferente de 2018, com as quatro câmeras no A9, a Samsung errou no “grau de inovação” da linha A?

Renato Citrini: Indo em especifico no A80, tem a câmera. São pouquíssimos modelos que contam com câmera tripla giratória, tem um que se assemelha bastante, mas que não chega perto da agilidade e não são três câmeras. O nível de inovação, você não vai encontrar em nenhum outro smartphone. Quando você está gravando um vídeo, ela gira e gira com uma agilidade que o video fica com uma edição certinha.

Para chegar nesse acerto, na engrenagem, no motorzinho, tem um custo de desenvolvimento. Não tem como colocar IP68 em um smartphone com peças móveis. Ou eu vou pra um lado ou eu vou pra um outro.

Quando se pensa em A80, A70, qual tipo de inovação a gente pode entregar? A gente traz câmeras triplas mais acessíveis, a gente nunca gostou do notch, o recorte na tela, a gente traz só uma ondinha ou só um furo. A questão do design é importante para nós, ao mesmo tempo, trazemos tela grande para o usuário que não quer pagar um preço elevado no smartphone.

A gente traz algumas tecnologias, algumas funcionalidades que estavam presentes só nas linhas mais altas pros intermediários, pra essas faixas de preço mais baixa.

Nova Post: Para 2020, é este o ano que veremos a Samsung trazer resistência contra água nos celulares intermediários? Também veremos outras mudanças como o fim do slot de microSD e de entrada P2 em outros celulares além do Note?

Renato Citrini: Uma das coisas em relação à resistencia a água e poeira não tem muito o que falar agora, e essa é uma questão que a gente sempre pensa em colocar. É um beneficio claro para o usuário, claro que isso tem um custo de vedação, ele precisa ficar um pouco mais espesso.

A história de um fone de ouvido P2, a gente tem um movimento na indústria, cabos, conexões, etc são sempre um atrito. Se a gente pensar numa entrada P2, analógica, ela é muito utilizada, você encontra fone P2 em qualquer canto, mas a gente tem USB-C, que foi criado há alguns anos para se tornar a interface universal para tudo.

É uma entrada/saída multipadrão, enquanto a industria não usar, não vai vingar. Por tirarmos do Note o P2, ele consegue ter mais espaço para bateria, para a caneta, para ter um feedback de vibração melhor. A questão é: a gente não tirou pra outra coisa, tirou para melhorar funcionalidades, aumentar bateria. Não que pra aumentar a bateria, a gente tirou o P2, entende?

Na hora que você tem uma saída padrão, independente de qual for, o USB-C vai ser um sucesso. Não tirou a entrada de fone, ela só mudou.

Nova Post: Para terminar, mais uma vez, a pergunta do filho favorito. De todos os lançamentos de 2019, qual foi, para você, o grande destaque do ano? E por quê?

Renato Citrini: Os meus filhos favoritos. Um tem nome de S e outro tem nome de Note. Uma coisa em relação à resposta passada mudou. Inverti as duas linhas. O Note é o principal e o S10 é o mais pessoal. Qual é o lado melhor? O pessoal ou profissional? Não sei.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é editor de internet do Jornal da Globo e escreve sobre tecnologia e games.