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Primeiras impressões: um dia com a QLED 8K

Já está na hora de comprar uma TV 8K? O Nova Post passou um dia com a QLED 8K e te conta a experiência de ficar frente a frente com uma tela de 33 milhões de pixels.

Quando a Samsung anunciou a QLED 8K em abril de 2019, disse que a empresa sul-coreana estava dois passos à frente da competição. Saltando dos oito milhões de pixels de uma 4K, a fabricante apostou nos 33 milhões de pixels para se tornar a primeira empresa a trazer uma tela comercial 8K para o Brasil.

Para o então gerente sênior de produtos de TV da Samsung Brasil, Guilherme Campos, trazer a QLED 8K não era “precipitado”, mas sim “ousado”, como você pode ler aqui. Desses meses para cá, a empresa sul-coreana expandiu o tamanho das telas nessa resolução, passando de 65, para 75, 82 e trazendo um modelo com incríveis 98 polegadas.

Começando em R$ 13.499, no varejo – um preço bem agressivo -, a QLED 8K já teve o preço diminuído em mais de R$ 8.000 desde o lançamento. E apesar de quase um ano depois da sua estreia no país, o conteúdo 8K ainda é apenas um devaneio para os consumidores. Ou seja, será que vale investir esse dinheirão em uma TV dessas?

Do básico

Antes de dizer como é consumir conteúdo nessa TV, é importante falar sobre ela. O QLED, ou melhor, a tecnologia de Pontos Quânticos, nada mais é do que um display LED – como você deve ter na sua casa – com uma camada especial de pontos inorgânicos, que evitam o burn-in e ajudam a trazer 100% do volume de cor.

Com potencial máximo de brilho de 4.000 nits (a melhor do ano passado deles tinha 2.000), a televisão conta com Direct Full Array de 16x. Esse nome significa que as emissões de luz na tela são divididas em 16 zonas, permitindo mais fidelidade nos pretos em cenas no escuro. É claro, apesar de não contar com a perfeição dos painéis OLEDs, esse da Samsung evita o desgaste de cor com o tempo e não sofre com marcas fantasmas no display.

O processador Quantum 8K da empresa ajuda na “mágica” acontecer, já que ele usa aprendizado de máquina e inteligência artificial para fazer o upscaling de todo o conteúdo que não esteja em 8K para o mais próximo dessa resolução.

Diferente do que as outras TVs 4K fazem tradicionalmente para fazer o upscaling, esse processador consegue identificar por meio dessas duas tecnologias os pixels que faltam para completar a imagem. Se você pensar do Full HD para o 8K, você está falando de dois milhões de pixels para 33 milhões, ou seja, haja criatividade para que a TV entenda quadro por quadro e em tempo real o que deveria ser cada pontinho que está faltando.

Outras funções que chamam atenção nessa TV, mas não são exclusivas, são o controle remoto único, a única conexão com um cabo de fibra óptica que sai da TV para a set-up-box da Samsung e o sistema operacional Tizen, que conta neste modelo com um “Modo Inteligente”, que adequa a imagem e o som para cada conteúdo.

Usando a QLED 8K

QLED-SAMSUNG-NOVA-POST

Durante uma tarde, fiquei no escritório da Samsung, em São Paulo, cara a cara com um tela 8K de 75 polegadas e as três coisas que me chamaram atenção foram: contorno, textura e profundidade.

Para os meus testes, assisti Servant, do Apple TV+, que roda em 4K, com HDR, Dolby Vision e Dolby Atmos, trechos de Mamma Mia 2 com as mesmas qualidades, Rocky Horror Picture Show, que roda em HD, e vídeos no YouTube do 4K até 480p. Também tive a experiência do catálogo de vídeos 8K da Samsung em um pendrive, mas não conta, né?

Para Servant, o primeiro desafio da QLED 8K é lidar com as cenas escuras – que são muitas. Graças ao Direct Full Array, não é possível perceber o branco vazando quando uma parte da cena está apagada e a outra iluminada. Os alto-falantes envolvem o telespectador na série e foi uma experiência mais do que agradável.

Ao rodar Mamma Mia 2, um filme colorido e vibrante, as qualidade da QLED, junto do seu “HDR premium” saltam os olhos. Com a promessa de 100% de volume de cor, é muito fiel o que você vê na tela e, claro, com 75 polegadas, é como estar no cinema mesmo.

A surpresa veio em Rocky Horror Picture Show, um filme de 1975, com muitas cenas escuras e que ficaram com uma excelente qualidade. Acostumado a ver o momento em que os personagens cantam There’s A Light Over At The Frankenstein Place na QLED 4K Q7 de 2018 que tenho em casa, e perceber alguns pixelados, é realmente surpreendente a força do upscaling com AI.

Já passando para o YouTube, fui para os clipes de música. Com Sucker Punch da Sigrid, que é bem animado, tive uma notícia boa e outra ruim: a boa é que deu para notar os três pontos que eu citei de profundidade, contraste e textura. Apesar de Full HD, era fácil ver o destaque no objeto principal (a cantora) que se misturava com as cores vivas do ambiente. Por outro lado, o som pecou nos graves, que são fraquinhos – e foi aí que eu percebi que a QLED 8K faz um bom trabalho geral com os falantes, mas não dá a devida atenção aos graves.

Por fim, quis forçar a barra com o clipe de Under Attack, do ABBA, e não ficou tão horrível quanto eu esperava. Mesmo com uma gravação perdida dos confins do YouTube em 480p, aos poucos a tela foi se adequando ao padrão 4:3 e a falta de informações em pixel.

Moral da história e outros comentários

O que eu quero dizer com tudo isso? Bem, que realmente é uma experiência única assistir conteúdos numa tela 8K. Mesmo com zero programa nessa resolução, o feito da Samsung, neste primeiro momento, é puxar a tecnologia para frente e chamar os players a produzirem nessa qualidade.

Quase todo upscaling foi muito bem feito e a poucos dias da CES 2020, fico mais animado para saber qual é o próximo passo da empresa sul-coreana no mercado de telas 8K.

Se vale a pena ter um display de 33 milhões de pixels em casa? Apenas se você estiver disposto a participar dessa transformação. É uma diferença notável da TV 4K, mas no fim do dia, as UHDs estão com a bola toda – e estão custando em torno de 10% de uma QLED 8K no varejo.

A menção honrosa vai para o controle remoto, que voltou a ser de aço escovado, e conta com os pretensiosos botões de “Netflix”, “Amazon Prime Video” e “WWW” do browser. Ao fazer uma escolha dessas, a Samsung assume que os seus consumidores têm esses serviços de streaming, ou senão são apenas teclas sobrando. No caso do “WWW” é bem estranho e ninguém deveria navegar em uma página do browser pela TV com um controle remoto.

Quanto mais para termos uma 8K em casa?

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é editor de internet do Jornal da Globo e escreve sobre tecnologia e games.