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Review: Fallout 76 é e não é um “Fallout”… e isso é bom!

Review: Fallout 76 é e não é um “Fallout”... e isso é bom!
Desembarcamos no universo pós-apocalíptico de Fallout 76 e contamos alguns detalhes do novo game da Bethesda.

Meus caros amigos e amigas fãs de Fallout, eu tenho uma boa e uma má notícia para vocês… Fallout 76 é e não é um novo “Fallout”. Como um bom e velho jogador da franquia (já consegui explodir um CD do jogo dentro do computador, por jogar tantas horas seguidas), posso falar com certa propriedade que Fallout 76 é um jogo bem diferente dos outros. Conforme já falei no Com limão, durante o B.E.T.A. do game, Fallout 76 está mais próximo de um FPS online do que um RPG.

Mas isso não tira todo o mérito do jogo. Apesar de eliminar a essência do Vault-Tec Assisted Targeting System (V.A.T.S.), sistema de mira que congelava o jogo, e colocar um ritmo mais veloz aos combates, Fallout 76 continua sendo um jogo divertido e envolvente. Lançado ontem (14), às 00h01 de Brasília, eu voltei para o universo inóspito da West Virginia pós-apocalíptico nuclear e conto alguns detalhes do novo game da Bethesda.

West Virginia: Lar da Vault 76 e um universo expandido

A premissa de Fallout 76 é a mesma dos demais jogos. Você é um sobrevivente do apocalipse nuclear que decide sair do seu “aconchegante” bunker e se aventurar no planeta inóspito que virou os EUA (até hoje não tivemos nenhum Fallout em outro país… será que a Terra está toda destruída ou a guerra só afetou os EUA?!). Ao contrários dos games anteriores, que se passam muitos anos após as bombas caírem, desta vez você sai Vault 76 durante o Dia da Retomada (Reclamation Day), em 2102. Ou seja, vinte e cinco anos depois de as bombas caírem, você e seus companheiros de Vault – escolhidos entre os melhores e mais brilhantes da nação – emergem numa América pós-nuclear.

Review: Fallout 76 é e não é um “Fallout”... e isso é bom!

O grande detalhe da localização (West Virginia, ou no bom e velho português, Virgínia Ocidental) está na sua fauna e diversidade ambiental. Isso significa que temos montanhas, florestas, lagos e muitos animais impactados pela radiação. Ao contrário do que era Washington ou Las Vegas, Fallout 76 ganha um desafio maior com a natureza rica do local. Tanto que, por diversas vezes, a melhor opção é correr para se salvar.

Bem-vindo à “Construction and Assembly Mobile Platform (C.A.M.P.)”

Se você se acostumou a montar o seu acampamento em Fallout 4, então você já está familiarizado com o sistema. A diferença agora é que o C.A.M.P. permite que você construa um acampamento ou qualquer outra estrutura (que tal montar uma loja?) em quase qualquer lugar. A boa notícia é que apenas você pode acessar os itens que estão dentro de uma caixa de suprimentos.

Mas, afinal, pra quê serve o C.A.M.P.? Bom, o acampamento é a sua base pessoal. Você pode descansar, reparar equipamentos, preparar comida e… mover para qualquer lugar do mapa (basta pagar uma taxa e tudo é guardado no seu sistema C.A.M.P. e você pode transportar pelo mapa).

Uma dica interessante é posicionar o seu acampamento em um lugar estratégico, ou seja, próximo de recursos pré existentes, assim você diminui a necessidade de construção de recursos ou bancadas de trabalho tão cedo. Além disso, como Fallout 76 exige que você alimente e hidrate seu personagem constantemente, ter um acampamento perto de uma horta comunitária ou de um purificador de água pode ajudar bastante na tarefa de quem está começando explorar West Virginia.

Universo rico e envolvente: Os Contos dos Montes de West Virginia

Fallout 76 possui um enredo central e centenas de ramificações secundárias. São histórias que te fazem mergulhar no universo de Fallout e conhecer vários momentos na cronologia do game. Uma das coletâneas de holodiscos são os “Contos dos Montes de West Virginia”, série de histórias que criam a mitologia da região e, consequentemente, te coloca em buscas e batalhas surpreendentes. Confira alguns (aqui eles estão em inglês, mas como o jogo é inteiramente traduzido para português, você pode ativar as legendas dos holodiscos e conferir a versão em PT-BR):

O Espetáculo à parte de Snallygaster:

No condado de Tyler, região noroeste do mapa de Fallout 76, fica um pequeno parque de diversões da Nuka World. Mas algo assustador faz com que Billy Harding e o seu amigo Teddy tenham um show à parte muito assustador com um Snallygaster. Para quem não sabe, no folclore americano, o Snallygaster é um animal parecido com um dragão e habitava o centro de Maryland.

A besta de Grafton

Robbie Cockrell e Peggy Mansfield esperavam ter uma noite romântica, mas – após um acidente de carro – dão de frente com uma besta enorme.

A maldição do Wendigo

O Wendigo é uma criatura sobrenatural que faz parte da mitologia indígena dos EUA. Segundo a lenda, o monstro é formado a partir de um humano qualquer, que passou muita fome durante um inverno rigoroso e, para se alimentar, comeu seus próprios companheiros. Quem assiste Supernatural já está familiarizado com a lenda, mas em Fallout 76 a coisa é bem mais assustadora e lembra o Gollum, de Senhor dos Anéis.

A chegada do Homem-Mariposa

Poderia ser um super-herói (ou vilão) de quadrinhos, mas o Homem-Mariposa (Mothman) talvez seja uma das criaturas mais famosas da região de West Virginia. Tanto que já ganhou documentário no canal History e possui uma estátua Point Pleasant. O par de olhos brilhantes vai amedrontar quem andar pelo mapa de Fallout 76 durante a noite.

O estranho encontro em Flatwoods

Mais uma lenda famosa, diz a lenda que o monstro de Flatwoods é foi um extraterrestre avistado em Flatwoods, no condado de Braxton, em setembro de 1952. Quem já jogou outros títulos da série Fallout sabe que os produtores adoram um bom e velho alienígena. No conto de Fallout 76, o escoteiro Fred Fisher parece ter entendido o que é um “contato imediato de terceiro grau”.

Armas, itens e Power Armor!

As “condições” de armas e armaduras, presentes em outros jogos da série, mas ausente em Fallout 4, estão de volta. Isso significa que as armas e armaduras de Fallout 76 vão quebrar e ficar inutilizáveis, exigindo consertos. Enquanto as armaduras demoram para estragar, as armas costumam dar defeito rapidamente e isso pode complicar se você estiver no meio de um combate.

Outro item que está de volta em Fallout 76 (para a alegria de todos) são as Power Armor. Mas eu tenho uma boa e uma má notícia. A boa é que você encontrará vários chassis de Power Armor pelo mapa. A má notícia é que a maioria das peças (blindagens) exigem personagens com nível 40. Isso não quer dizer que você tem que ignorar uma Power Armor enquanto está em um nível baixo. Guarde as blindagens no seu acampamento e use o chassis para aumentar sua defesa e capacidade de carga.

Uma das novidades é a Loja Atômica (Atomic Shop), um lugar onde você pode comprar skins de armas, visuais de armadura, gestos, decorações e muito mais. De acordo com a Bethesda, “ela não oferece nada com vantagem competitiva, mas oferece diversão e alegria a você e aos habitantes ao seu redor”. Como jogamos a edição Tricentenária, que dá direito a uma skin para Power Armor T-51, T-45, T-60 e X-01, uma skin para Pistola 10MM, Hatchet e Fuzil Laser, uma cabeça do mascote Vault Boy, uma roupa do Tio Sam e alguns itens decorativos para o acampamento, acabamos personalizando nosso personagem (veja a imagem na abertura do texto e abaixo).

Review: Fallout 76 é e não é um “Fallout”... e isso é bom!
Review: Fallout 76 é e não é um “Fallout”... e isso é bom!

Conclusão: Fallout 76 vale a pena?

Estou com apenas 14% do jogo concluído (ou seja, ainda é muito pouco e me deparei com poucos monstros lendários), mas posso dizer que Fallout 76 é um jogo divertido. Apesar de não ser o RPG que estamos acostumados, o novo game da série vale pelo universo pós-apocalíptico e instigante que só um jogo Fallout consegue reunir. Não espere visuais incríveis (apesar das belas paisagens, o jogo não é nenhum Far Cry, em termos gráficos), mas – para compensar – temos milhares de possibilidade de armas (que vão de machados a armas ultra-tecnológicas), uma infinidade de easter eggs e um mapa imenso para ser explorado. Em resumo, é Fallout, mas também não é. Mesmo assim continua valendo o investimento, principalmente se você tiver amigos para jogar junto.

Designer e editor-chefe do Com limão. Como criativo, já atuou com grandes marcas, como Discovery, UOL e VEJA.