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Análise: iPhone XR, o iPhone que você quer

O futuro do mobile da Apple, agora em diversas cores.

Quando a Apple lançou o iPhone X no ano passado, a empresa de Cupertino tinha como missão entregar o que ela acreditava como futuro de mobile pelos próximos 10 anos: um novo design praticamente sem bordas, um novo método de segurança conhecido como Face ID e câmeras mais potentes do que antes.

Doze meses depois, a Apple colocou de lado o iPhone X para anunciar o iPhone XR e os sucessores iPhone Xs e iPhone Xs Max. Aqui, vou falar sobre o primeiro ano pós-iPhone X e como a Maçã está cumprindo a promessa de difundir o que ela entende como futuro dos smartphones.

Onde se encaixa o iPhone XR

Antes de falar do aparelho de uma maneira geral, é importante encaixá-lo no portfólio da Apple. O iPhone XR chegou ao mercado norte-americano a partir de US$ 749, US$ 50 mais barato do que o iPhone 8 Plus quando lançado e US$ 250 mais barato que o iPhone X (ou, agora, Xs).

Com isso, é como se o iPhone XR fosse o iPhone 8 dessa geração, só que compartilhando mais similaridades com os Xs e Xs Max. Aqui, já falamos sobre como o iPhone XR não é o novo iPhone 5c. Aqui, você confere tudo o que precisa saber antes de comprar o XR. E aqui um comparativo entre os três celulares. Vamos lá?

Borda é o novo sem-bordas

Com uma tela LCD de 6,1 polegadas, aqui está a primeira economia do iPhone XR: a falta do OLED. Com uma resolução ligeiramente inferior ao Full HD, desde o dia 1 esse iPhone foi colocado em xeque pelo fato da Apple ter escolhido uma tela “inferior”. Só que o “fator Apple”, que sempre valeu para processamento, câmeras e bateria, agora passa a valer para o display.

A tela do iPhone XR é vibrante. Nestas três semanas de uso, assisti séries da Netflix, vídeos no YouTube, dei zoom máximo nas fotos tiradas com ele e a qualidade é impecável. Para quem vem de um iPhone 8 ou anterior, vai sentir uma imersão muito maior nas 6,1 polegadas do aparelho. Eu, que venho de um iPhone X, reconheço a superioridade do OLED, mas não seria o fim do mundo ficar sem ela.

Agora, o que noto de diferente é: a tecnologia Liquid Retina adotada pela Apple, que permite cantos arredondados no display, deixa uma borda que antes não existia no iPhone X, mas, de novo, se você vem de um iPhone 8 ou inferior, você não vai se incomodar com os cantos.

Com essa nova tecnologia, a Apple deixou de lado o 3D Touch, que está presente nos iPhones desde o 6s. Funções como ver notificações de uma pasta, abrir um atalho de aplicativo ou pré-visualizar um e-mail estão fora da jogada no XR. A empresa de Cupertino tenta corrigir isso com o Haptic Engine, que simula o 3D Touch na Central de Controle e agora, no iOS 12.1.1, nas notificações. É um alento, mas se você usa a função, vai sentir um tanto a falta dela.

A Apple traz para o iPhone XR o Face ID. Não é exatamente uma segunda geração, mas com certeza ele está ainda mais rápido e seguro do que no iPhone X. Com o iOS 12, você pode configurar um rosto alternativo para garantir que o desbloqueio seja sempre rápido, mesmo de óculos escuros, com um boné ou com a maquiagem de sexta à noite. Se você tem receios sobre essa tecnologia e, relação ao Touch ID, é muito fácil se acostumar. É apenas uma olhada.

Temos um lugar para jogar Fortnite de verdade

O iPhone XR tem um dos maiores benchmarks (teste de velocidade) dos smartphones atuais. Na verdade, só não é o maior porque os iPhones Xs e Xs Max contam com 1GB de RAM a mais que ele. Basicamente, você tem na sua mão um carro de Fórmula 1 no formato de 7nm (à frente do mercado) com o novo processador A12 Bionic.

Jogar Fortnite nesse aparelho é como jogar Candy Crush – sério. Também não tem problema optar por jogá-lo ouvindo música no fundo. Não há drop frame e a renderização é feita no máximo, simples como abrir o WhatsApp para mandar uma mensagem.

Enquanto a verdadeira diversão não chega com Elder Scrolls Blades da Bethesda, que faz uso total do novo chip da Apple, é bom você saber que não tem aplicativo que o iPhone XR não rode com tranquilidade. Outro jogo para testar é o Lego AR, lançado recentemente e mistura os seus bonequinhos favoritos em uma batalha pirata em Realidade Aumentada.

Para armazenar todos os seus aplicativos, fotos, músicas e documentos, a Apple traz as melhores opções de memória interna no XR: 64GB, 128GB e 256GB. No caso do Xs, a empresa opta por pular de 64GB para 256GB e em seguida para 512GB.

A câmera única que desbancou o iPhone X

Em um ano “s”, ou melhor dizendo, “R”, a Apple trouxe uma grande melhora nas câmeras. Com 12MP, a câmera principal tem pixels mais densos que recebem ainda mais luz. Isso traz mais detalhes para as fotos até mesmo em baixa luminosidade.

Uma das tecnologias implementadas neste ano é o HDR Inteligente, que funciona assim: quando você faz um disparo, a câmera do iPhone na verdade faz diversos outros cliques e combina as fotos mais escuras com as mais claras gerando imagens mais parecidas com o que de fato você está vendo.

Na maioria dos casos, é um acerto. O que eu gosto na câmera do iPhone é que ela tem a melhor lente para você tirar do bolso e fazer a melhor foto no mesmo instante. Existem aplicativos de terceiro customizáveis que trazem ainda mais recursos para a câmera, para quem sente falta do Modo Manual do Android, mas apenas se você quiser levar para o próximo nível.

Durante os meus cliques, senti que algumas fotos acabaram ficando um pouco mais vibrantes do que o meu gosto. Algumas pessoas comentavam “o meu cabelo está tão claro assim?”. A questão é que o HDR Inteligente pode e deve continuar melhorando com atualizações de software, assim como o Modo Retrato.

O iPhone XR traz pela primeira vez o Modo Retrato, Iluminação de Estúdio e Ajuste de Desfoque para uma única câmera no iPhone. Isso é possível graças ao processador A12 Bionic e também ao iOS. Os cliques ficam melhores do que no iPhone X, com mais detalhes e com menos ruído em ambientes com baixa luminosidade.

A grande pegada aqui é que o Modo Retrato só funciona com pessoas. Para objetos, basta se aproximar deles e focar a câmera neles. Animais, por exemplo, não são reconhecidos por essa função. Os modos de Iluminação de Estúdio que deixam o fundo todo preto também não estão habilitados nesse iPhone pela falta da segunda câmera.

Já a câmera de selfie, de 7MP, conta com o cardápio completo, igual o iPhone Xs, porque tem o mesmo sistema True Depth. Uma coisa interessante é a renderização ao vivo de efeitos AR em vídeos e fotos no aplicativo Clips, da Apple, e também nos modos de Iluminação de Estúdio.

A verdade é que as câmeras do iPhone ganharam uma grande atualização R nesse ano – bem mais do que a Apple falou no evento de lançamento do aparelho.

Para os fãs de vídeo, o iPhone XR é impecável, podendo gravar a 60 quadros por segundo em 4K. A câmera de selfie ganhou uma estabilização maior pela primeira vez. O usuário perde apenas no zoom óptico, que não existe na câmera principal e aí aumentar a imagem digitalmente vai causar ruídos.

A maior bateria em um iPhone é um começo

O iPhone XR tem uma hora e meia de duração a mais que o iPhone 8 Plus, desbancando até mesmo os seus irmãos da linha “s”, que têm mais bateria que o iPhone X. Ainda assim, o XR não aguenta para mimm um dia inteiro de uso intenso.

Como uso é subjetivo, tenho um exemplo de como o iPhone XR me atendeu muito bem e muito mal em um mesmo final de semana. Fui cobrir o Festival Piauí GloboNews para redes sociais. Basicamente, eu precisava fazer umas fotos, alguns vídeos e pegar algumas aspas por sete horas.

No primeiro dia, eu não sabia a senha do Wi-Fi e o auditório que eu estava deixava a minha internet no 3G. Resultado: em 4 horas de uso intenso do celular, ele chegou aos 20% e eu já pensei “isso aqui vai para a análise do celular”.

No domingo, com Wi-Fi propriamente colocado, a bateria foi das 10h (na verdade, desde às 8h30 para ambos os dias) até as 19h sem problemas, com mais de 20%. Ou seja, tudo depende das suas condições de uso e às vezes alguma função ou aplicativo podem consumir bem mais a sua bateria do que esperado. De maneira geral, o iPhone XR faz bonito, mas é bom ter um power bank por via das dúvidas.

O XR permite carregamento rápido, desde que você compre um carregador de MacBook mais um cabo USB-C para Lightning, e carregamento sem fio, com uma base com certificado Qi (o padrão vendido). Em 30 minutos de carga rápida, você tem 50% de bateria. E, normalmente, você consegue carregar o celular em 1h30, mais ou menos.

Cores da inovação

O iPhone XR se destaca por outro motivo: suas cores. Disponível em Preto, Branco, Azul, Amarelo, Coral e PRODUCT(RED), essa é uma das maiores variações de cores já lançadas pela Apple. Além de dar um toque único para o smartphone da empresa que começa em R$ 5.199 e vai até R$ 5.999, o acabamento em alumínio nas laterais permite uma fidelidade maior à traseira colorida em vidro.

A Apple fala que esta é a tela mais resistente já colocada em um iPhone, mas vale a pena não descobrir o impacto que ela pode fazer no chão, uma vez que os reparos oficiais são bem salgados. Uma opção para proteger o aparelho é a recém-lançada case oficial transparente da Apple por R$ 349.

Enfim, há muito o que se gostar no iPhone XR. Se você vem de um iPhone X, talvez valha a pena esperar o ano que vem ou escolher um modelo da linha “s”. Se você vem de um iPhone 8 ou anterior, a mudança, não só visual, é maior.

No iPhone XR, você já tem um iPhone com o novo design, o processador mais avançado e por um preço melhor do que o do iPhone Xs. E é assim que a Apple dá boas-vindas aos consumidores que esperaram um ano para ter o novo iPhone, só que ao invés do X, o XR.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é editor de internet do Jornal da Globo e escreve sobre tecnologia e games.