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Análise: Apple AirPods 2, agora com carregamento sem fio

Dois anos e meio após o seu lançamento original, Apple traz os AirPods 2 com processador dedicado a áudio e mais. Confira o review.

Os AirPods 2 já estão à venda no Brasil há quase dois meses. Este, que é um dos produtos mais populares da Apple dos últimos anos, ganhou uma atualização na semana que novos iMacs e iPads foram anunciados, em março de 2019.

Apresentados em primeira mão em setembro de 2016, junto do iPhone 7, os AirPods originais combinavam um fone sem fio com conexão simplificada entre todos os dispositivos Apple, suporte a Siri e uma bateria confortável para horas e horas de uso.

Inclusive, publicamos aqui no Nova Post uma análise de um ano de uso dos AirPods originais. Agora, quase dois anos depois, é um alívio poder testar a nova geração, que tem a bateria zerada e diversas novidades.

A Apple cedeu os AirPods 2 para testes e tenho usado o produto faz quase dois meses. Nesse tempo, pude usá-lo no transporte público, avião, para ver TV, jogar e mais. Abaixo, confira a análise completa.

Design e ergonomia

Os AirPods 2 são iguais aos AirPods originais. Ou seja, se eles se encaixavam bem no seu ouvido, esses vão continuar do mesmo jeito. Caso você nunca tenha usado os fones sem fio da Apple, saiba que a ergonomia deles é a mesma dos EarPods (os fones com fio da empresa que vêm na caixa com os iPhones).

A mudança mais fácil de identificar é no estojo com carregamento wireless, que indica na parte de fora se os AirPods estão carregando ou se já carregaram 100%. Antes, ela ficava na parte interior do produto.

O estojo mantém a entrada Lightning para carregar via cabo, a caixa abre do mesmo jeito e os AirPods ficam presos magneticamente do mesmo jeito. Ao que parece, a Apple usou a máxima do “não se mexe em time que está ganhando”.

O design dele também é um dos poucos, quiçá o único, que mantém um formato de fone de ouvido, diferente de outros fones wireless que parecem bolinhas no ouvido.

Na minha experiência, é muito fácil esquecer que os AirPods 2 estão no ouvido de tão confortáveis que são. É possível passar horas usando o produto sem incômodo, o que é bom para quem gosta de fazer longos exercícios, passa muito tempo no transporte público ou simplesmente é um apaixonado por música. E, claro, você pode chacoalhar a cabeça igual em um show de heavy metal que os fones não caem.

O poder do novo chip H1

Se o design dos AirPods 2 é muito similar ao produto original, saiba que é internamente que ele recebeu a maior atualização. A Apple substituiu o chip W1 pelo chip H1, criado exclusivamente para fones de ouvido. Ele garante uma conexão sem fio mais veloz e estável, é duas vezes mais rápido para se conectar a outro dispositivo (se você estiver no iPhone e quiser trocar para o iPad, por exemplo) e uma vez e meia mais rápido para se conectar a uma ligação telefônica.

Na prática, você não precisa esperar uns segundinhos a mais até ouvir o barulho de “conectado” ao colocar os fones. E não me entenda mal, os AirPods originais já eram rápidos, mas é ao usar a segunda geração que você percebe que talvez os AirPods realmente pudessem se conectar mais rapidamente – como agora conseguem.

Essa mudança é mais perceptível na troca entre dispositivos e ligações, que torna menos constrangedor ficar falando “alô, tá me ouvindo?” Enquanto os fones terminam de se parear ao iPhone.

É claro, às vezes essa conexão extremamente rápida demora um pouquinho entre alternar do iPhone para a Apple TV, por exemplo, ou dá uma picotada na rua, se tiver muita interferência externa – mas é raro.

A Apple também chama a atenção para a latência 30% menor para jogos da primeira para a segunda geração de fones sem fio. Sinceramente, nunca senti um delay entre a boca da pessoa em um vídeo para o que eu ouço ou de um tiro no jogo para o que eu ouço. Então se a empresa de Cupertino conseguiu deixar ainda melhor, que bom.

“E aí, Siri” e microfone

O chip H1 também trouxe uma Siri mais proativa. Agora é possível dizer “E aí, Siri” e dar o comando de voz sem precisar dar dois toques no fone. Com isso, você pode deixar os cliques para outras funcionalidades, como passar ou voltar uma música.

Mesmo assim, ainda é um tanto problemático depender da Siri para comandos de voz. Se você gosta de muita música em inglês, sugiro deixar a assistente de voz em inglês, porque ela realmente não entende o “E aí, Siri, toque Beatles”, por exemplo.

Por outro lado, você precisa aprender outros comandos como “Turn it up” para aumentar o volume “Next” para próxima música, “Play my Playlist XXX” para tocar uma playlist, entre outras. Mas se você precisar mandar uma mensagem para um amigo, você com certeza não vai querer fazer isso em outro idioma, né?

Isso vai ficar um pouco mais caótico no iOS 13, que a Siri nos AirPods conseguirá ler as notificações para você no momento que elas chegam. Ficará o questionamento: é mais importante responder mensagem ou pedir música? Não deveríamos ter que se perguntar isso.

Usar o comando “E aí, Siri” ainda é também uma faca de dois gumes, porque ela não faz o barulhinho de “estou te ouvindo”. Caso o som diminua, é provável que ela tenha entendido a sua solicitação e esteja prestes a tomar uma ação ou te dar uma resposta.

Não tem um padrão exato do tom de voz para a Siri te ouvir. Às vezes falar baixo é o suficiente, mesmo em ambientes barulhentos, e outras vezes é preciso falar mais alto. Mesmo depois de dois meses, ainda é um tanto de tentativa e erro.

Para melhor uso do microfone, é importante deixá-lo sentido a sua boca. Inclusive, ligações com os AirPods 2 ficaram ainda melhores. O som costuma ser claro e mesmo no barulho do ônibus, a pessoa do outro lado da linha te escuta sem problemas.

Por fim, não esqueça que uma das funções mais bacanas do fone continua viva: tirar um lado para a música parar e depois colocar de volta para voltar a tocar.

Bateria e carregamento sem fio

Outro ponto positivo do chip H1 é a melhoria em relação à bateria. Os AirPods aguentam até cinco horas de som com apenas uma carga e mais de 24 horas de carga com o estojo de recarga.

Nos meus testes, consegui chegar bem perto das 5 horas. O motivo de não ultrapassá-las é que a Apple recomenda o uso em até 50% do volume e, convenhamos, a gente acaba usando bem mais alto.

Você também pode passar até três horas em uma ligação telefônica, uma melhora de uma hora em relação à geração passada.

Com os AirPods 2, você pode escolher o modelo com o estojo de recarga sem fio. Com isso, é possível carregar os fones com um carregador wireless com padrão Qi. É importante que ele seja daqueles que ficam deitados, como esse aqui da Samsung ou esse aqui da Nomad.

Com apenas 15 minutos de carga, você consegue até 3 horas de reprodução de música ou duas horas no telefone. Eu, particularmente, consigo passar quase uma semana com os AirPods longe da tomada, então quando coloco para carregar, é à noite, na base wireless.

Você consegue carregar os AirPods 2 (com o estojo zerado) por fio em pouco mais de uma hora. Já via wireless, fica mais próximo das duas horas.

Qualidade de som

É estranho deixar o som por último na hora de falar de um fone de ouvido, né? E a verdade é que os AirPods 2, ao meu ouvir, têm a mesma qualidade da geração passada – o que é ótimo. E pela “mesma qualidade da geração passada”, eu quero dizer que eles soam iguais aos fones com fio da empresa.

É um som bem equalizado, com uma valorização um pouquinho maior nos graves, mas que é ótimo para qualquer estilo. Os novos AirPods também não contam com cancelamento de ruído e são ótimos para usar na rua, porque ao mesmo tempo que você consegue ficar imerso na música, você também presta atenção no que acontece ao seu redor.

Agora, como os AirPods 2 chegaram quase que ao mesmo que o Galaxy Buds, eu preciso dizer que em um ônibus muito barulhento ou no famoso trem da CPTM, os fones da Samsung acabam sendo a minha escolha, porque isolam o som melhor. Por serem intra-auriculares, eles evitam o barulho excessivo, coisa que os AirPods não fazem.

O mesmo vale para uma viagem de avião. Os fones da Apple são ótimos para compartilhar com alguém ou ficar vendo série, mas, nossa, a turbina não poderia ser mais silenciosa? Nesses casos também, os Buds me trazem um pouco mais de paz, apesar de incomodarem a longo prazo e ficarem “mais presentes” no ouvido.

AirPods 2: sim ou não?

Com preço sugerido de R$ 1.349 (US$ 159) no modelo com estojo padrão e R$ 1.679 (US$ 199) no modelo com recarga sem fio, os AirPods 2 não são nem os fones mais caros nem os mais baratos do mercado.

Por entregarem uma experiência simplificada, intuitiva e com uma boa qualidade de som, eles são, sem dúvida, a escolha número 1 para um usuário de iPhone e, com certeza, uma opção forte para qualquer usuário Android. E olhe pelo lado positivo: se você não liga para carregamento wireless, o modelo padrão ficou mais barato.

Se você tem a geração um e quer o estojo wireless, ele custa R$ 679 (US$ 79). Se os seus AirPods têm mais de um ano, um ano e meio, com certeza vale a pena trocar pelos novos. Agora, se você ainda não entrou no mercado de fones sem fio, pode abraçar os AirPods 2, que você vai se apaixonar.

Para o futuro, parece que a Apple está desenvolvendo uma versão com cancelamento de ruído. Só o futuro dirá, mas o presente já parece bem bom.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é editor de internet do Jornal da Globo e escreve sobre tecnologia e games.