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Relatório da Ookla revela panorama da internet via satélite no Brasil e no mundo

Organização avaliou diversos provedores em 18 países; internet via satélite no Brasil, contudo, ainda apresenta baixíssimo custo-benefício.

A Ookla, responsável por avaliar o desempenho dos provedores de internet em todo o mundo, acaba de lançar um relatório que detalha o estado das conexões via satélite ao redor do globo. Apesar de terem sido divulgados nesta quarta-feira (16), os analisados refletem o cenário do último trimestre de 2021.

No Brasil, o destaque ficou com a Viasat, uma das únicas a oferecer esse tipo de rede por aqui. Acontece que o motivo não é dos melhores – isso porque o avanço das conexões cabeadas, sobretudo com a popularização da fibra óptica, tornou a banda larga via satélite uma opção ainda pior em termos de custo-benefício.

Conforme aponta o relatório, a velocidade média alcançada pela provedora foi de 62.80Mbps, número bem abaixo das taxas oferecidas pelas conexões tradicionais, cuja média foi de 83.03Mbps.

Em termos de upload e latência, a rede via satélite também saiu atrás, com 1.07Mbps, frente a 40.76Mbps das concorrentes, e 610ms de latência média, contra apenas 6ms das demais provedoras.

Internet via satélite no Brasil ainda é realidade distante

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(Imagem: Ookla)

A Ookla não explicou os motivos de não ter avaliado outros provedores de internet via satélite no Brasil.

Apesar de elucidativos, os números da internet via satélite no Brasil não são motivo de tanto espanto. Afinal, além de ser uma tecnologia incipiente por aqui e em boa parte do mundo, o principal uso dessas conexões não visa a velocidade, mas a cobertura.

Via de regra, a conexão por satélite só é uma opção recomendada se não houver outro tipo de banda larga no local, algo comum em regiões remotas ou rurais. Ainda assim, as conclusões divulgadas Ookla também demonstram a carência do território nacional por outros players mais competitivos.

Atualmente, a lista de provedores de internet via satélite no Brasil não se restringe à Viasat, incluindo também a Hughesnet, a YahSat e outros provedores, muitas vezes intermediados por operadoras convencionais.

Desde 2021, a Starlink, companhia de Elon Musk voltada para esse tipo de conexão, também já aceita reservas de brasileiros. No entanto, a brincadeira de se conectar a um satélite de órbita baixa (LEO) nunca sai barata.

No caso da Starlink, além ser preciso desembolsar mais de R$ 500 só para garantir um espaço na fila de clientes, a própria mensalidade terá um preço parecido. Ademais, vale ressaltar que os custos da infraestrutura necessária (antenas etc.), bem como o frete desses equipamentos, também ficam a cargo do cliente.

Em janeiro de 2022, a Anatel autorizou o funcionamento da Starlink em território nacional. O fornecimento dos serviços, por outro lado, só deve começar em meados deste ano, iniciando por São Paulo.

Ao final das contas, a verdade é que, tal qual os números da Ookla reforçam, a internet via satélite no Brasil é simplesmente inacessível para a maioria dos usuários. Assim, ao menos por aqui, e, por enquanto, a alternativa só faz sentido onde não existe infraestrutura cabeada ou de 4G.

Grafico-ookla-internet-via-satelite-nos-EUA
(Imagem: Ookla)

Nos EUA, por sua vez, o relatório conta uma história um pouco diferente: na maior parte da costa oeste, que compreende os estados da Califórnia, Oregon, Washington, Arizona e Nevada, a internet via satélite já alcança taxas médias de 104Mbps (download).

Por lá, inclusive, a Starlink é líder, seguida pela Hughesnet e pela própria Viasat. Além disso, é válido ressaltar que, na América do Norte, boa parte da cobertura está concentrada em regiões de grande densidade populacional, bem como com amplo oferecimento de outras tecnologias.

Considerando que a realidade no Brasil é bem diferente, sobretudo em termos do público que é capaz de pagar os preços cobrados, é curioso notar que as operações da Starlink começarão na região central de São Paulo, onde até o 5G já tem dado alguns passos, custando sempre bem menos.

De todo modo, resta esperar que, tal qual o próprio Elon Musk acredita, a conexão via satélite se popularize rapidamente, tornando-se bem mais barata – e disponível – inclusive por aqui.

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